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Tereos reduz dívida em 19% e mantém lucro positivo apesar da queda de 12,3% na moagem na safra 2025/26

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Tereos encerrou a safra com receita líquida de R$ 5,7 bilhões, lucro de R$ 137 milhões, menor dívida em dez anos e quase R$ 2 bilhões em caixa

A Tereos Açúcar e Energia Brasil encerrou a safra 2025/26 com resultados impactados pela menor disponibilidade de cana-de-açúcar, mas manteve lucro líquido positivo, reduziu o endividamento e encerrou o ciclo com quase R$ 2 bilhões em caixa. A companhia registrou receita líquida de R$ 5,703 bilhões e lucro líquido de R$ 137 milhões no exercício encerrado em 31 de março de 2026.

O desempenho refletiu principalmente a redução da moagem, que totalizou 17,9 milhões de toneladas de cana, volume 12,3% inferior ao registrado na safra anterior. Segundo a empresa, fatores climáticos adversos comprometeram a produtividade agrícola e contribuíram para a menor disponibilidade de matéria-prima ao longo do ciclo.

A retração operacional também foi observada nos indicadores financeiros. O resultado operacional caiu de R$ 903 milhões para R$ 375 milhões, enquanto o lucro antes dos impostos recuou de R$ 529 milhões para R$ 184 milhões. A receita líquida apresentou queda de 15,8% na comparação anual, passando de R$ 6,775 bilhões para R$ 5,703 bilhões.

O lucro líquido somou R$ 137 milhões, ante R$ 364 milhões registrados na safra anterior. Ainda assim, a companhia destacou que o EBITDA ajustado alcançou R$ 1,059 bilhão, o terceiro maior resultado de sua história.

Menor dívida e reforço de caixa

Apesar do cenário mais desafiador para a operação, a Tereos encerrou o exercício com indicadores financeiros mais sólidos. O saldo de caixa e equivalentes de caixa atingiu R$ 1,996 bilhão, crescimento de 38,1% em relação ao exercício anterior.

A empresa informou que a dívida líquida foi reduzida em 19%, para R$ 2,197 bilhões, atingindo o menor patamar dos últimos dez anos. A alavancagem bancária encerrou a safra em 0,5 vez, um dos menores níveis da série histórica recente da companhia.

Entre os destaques do exercício está a venda da unidade Andrade, concluída ao longo da safra. A operação contribuiu para o fortalecimento da posição de caixa da companhia e para a redução do endividamento.

O patrimônio líquido consolidado avançou de R$ 3,040 bilhões para R$ 3,343 bilhões, crescimento de aproximadamente 10%, enquanto os passivos totais recuaram de R$ 6,539 bilhões para R$ 6,303 bilhões.

Mix de açúcar atinge nível recorde

Em resposta ao cenário de mercado da safra 2025/26, a Tereos elevou a participação do açúcar em seu mix de produção para 71%, o maior percentual já registrado pela companhia. A estratégia buscou capturar maior valor em um ambiente de margens pressionadas e compensar parcialmente os impactos da menor disponibilidade de cana.

Mesmo com o direcionamento mais intenso para o adoçante, a produção de açúcar totalizou 1,7 milhão de toneladas, redução de 6,5% em relação ao ciclo anterior. A queda refletiu principalmente a menor moagem, que recuou 12,3%, para 17,9 milhões de toneladas de cana.

A produção de etanol foi mais impactada pela combinação entre menor oferta de matéria-prima e aumento do mix açucareiro. O volume produzido somou 426 mil metros cúbicos, retração de 31,7% na comparação anual.

A exportação de energia elétrica também foi afetada pela menor disponibilidade de biomassa, encerrando a safra em 810 mil MWh, queda de 20,2% frente ao ciclo anterior. No total, a produção da companhia, considerando açúcar, etanol e energia, alcançou 2,5 milhões de toneladas equivalentes, volume 14,4% inferior ao registrado na safra 2024/25.

Mercado pressionou resultados

Além da menor moagem, a safra 2025/26 foi marcada por um ambiente menos favorável para as commodities do setor sucroenergético. Segundo a Tereos, o preço médio do açúcar bruto recuou 26% em relação ao ciclo anterior, passando de R$ 2.366 por tonelada para R$ 1.769 por tonelada, refletindo o aumento da oferta global.

No Centro-Sul, a moagem de cana alcançou 611 milhões de toneladas, queda de 1,7% em relação à safra anterior. A produção regional de açúcar atingiu cerca de 40 milhões de toneladas, crescimento de 0,6%, enquanto a fabricação de etanol somou aproximadamente 34 bilhões de litros, retração de 3,6%.

Nesse contexto, a companhia buscou mitigar os impactos da menor disponibilidade de cana por meio do aumento do mix açucareiro, da eficiência industrial e da estratégia comercial adotada ao longo da safra. Ainda assim, a combinação de menor moagem, redução do ATR disponível e preços mais baixos das commodities contribuiu para a queda da receita e dos indicadores de rentabilidade no período.

Avanços em sustentabilidade

No campo ESG, a companhia destacou avanços em iniciativas de descarbonização, agricultura regenerativa e gestão hídrica. A empresa informou ser a primeira do setor sucroenergético no Brasil com metas climáticas alinhadas à Science Based Targets initiative (SBTi).

Entre os compromissos estabelecidos para 2032/33 estão a redução de 50% das emissões industriais dos escopos 1 e 2 e de 36% das emissões agrícolas e da cadeia de valor. A Tereos também reportou redução de 7% no consumo de água por tonelada de cana processada e ampliação das práticas de agricultura regenerativa em suas operações.

Natália Cherubin para RPAnews

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