Recuperação das precipitações reduz preocupação com a safra indiana, enquanto liquidação de posições pelos fundos amplia queda em Londres
Os preços internacionais do açúcar encerraram a quarta-feira (15) em baixa, pressionados pela melhora das chuvas de monção na Índia, que reduziu as preocupações com a produção de cana no segundo maior produtor mundial da commodity.
O açúcar bruto para entrega em outubro fechou em queda de 0,2%, a 14,85 centavos de dólar por libra-peso, após atingir a mínima de duas semanas na segunda-feira. Por sua vez, o contrato futuro de açúcar branco mais ativo fechou em queda de US$ 14,20, ou 3,1%, a US$ 449,20 por tonelada.
O principal fator de pressão veio da evolução das chuvas de monção na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado de precipitações caiu para 23% abaixo da média até 15 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados em 30 de junho. O avanço das chuvas reduz, ao menos temporariamente, os riscos de perdas na produtividade da cana-de-açúcar e contribui para aliviar as preocupações com a oferta global.
Além do clima, o mercado londrino foi pressionado por uma forte liquidação de posições por parte dos fundos de investimento antes do último dia de negociação do contrato agosto do açúcar branco na ICE. O movimento foi potencializado pelo elevado volume de posições compradas. Dados mais recentes do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que, na semana encerrada em 7 de julho, os fundos ampliaram em 10.368 contratos suas posições líquidas compradas, alcançando um recorde de 58.131 contratos líquidos no açúcar branco negociado em Londres.
Apesar da correção desta quarta-feira, o mercado ainda acumula forte valorização nas últimas semanas. O açúcar bruto em Nova York atingiu, na semana passada, a máxima de dois meses, enquanto o açúcar branco em Londres chegou ao maior nível em 10,25 meses. A alta havia sido sustentada pelos receios de que a monção fraca reduzisse a produtividade dos canaviais indianos. O Ministério das Ciências da Terra da Índia, porém, continua alertando que a temporada de monções de 2026 pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
No lado dos fundamentos, o mercado segue encontrando suporte na menor produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil. Dados da UNICA mostram que a produção acumulada até maio da safra 2026/27 somou 6,838 milhões de toneladas, queda de 2% frente ao mesmo período do ciclo anterior, refletindo a maior destinação da cana para a fabricação de etanol. Além disso, a Czarnikow revisou em junho seu balanço global de açúcar para 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de maior produção de etanol no Brasil.


