Acordo prevê desenvolvimento de cultivares industriais com maior rendimento para biocombustíveis e amplia pesquisas sobre aproveitamento da biomassa para produção de biogás e biometano
O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e do Instituto Agronômico (IAC-Apta), formalizou nesta quinta-feira (23), durante a Batatec 2026, em Presidente Prudente (SP), uma parceria tecnológica com a Agropecuária Vista Alegre, empresa do Grupo Better Beef, para desenvolver cultivares industriais de batata-doce destinadas à produção de etanol e biometano.
O acordo prevê projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, reunindo a experiência do IAC em melhoramento genético com a demanda da agroindústria por materiais mais produtivos e adaptados ao processamento industrial.
Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, a iniciativa busca aproximar a pesquisa científica das necessidades do setor produtivo e acelerar o desenvolvimento de soluções para ampliar a competitividade da bioenergia.
Pesquisa voltada à produção de biocombustíveis
O IAC já desenvolve cultivares de batata-doce com foco em produtividade, resistência a doenças e adaptação às diferentes regiões do Estado. Com a nova parceria, as pesquisas passam a incorporar características específicas para uso industrial, como maior teor de matéria seca, maior concentração de amido e melhor rendimento na produção de etanol.
Os estudos também incluem o aproveitamento da biomassa e dos resíduos do cultivo para geração de biogás e biometano, ampliando o potencial da cultura dentro da matriz brasileira de energias renováveis.
De acordo com o pesquisador do IAC, Valdemir Antonio Peressin, os primeiros materiais que serão avaliados incluem a cultivar industrial IAC Santa Elisa e os clones IAC 737 e IAC 708, atualmente em fase final de desenvolvimento e considerados promissores para a produção de biocombustíveis.
Aproveitamento integral da produção
Além do desenvolvimento tecnológico, a parceria busca criar novas oportunidades para a cadeia produtiva da batata-doce, especialmente na região de Presidente Prudente, principal polo produtor do Estado.
Segundo o presidente da Agropecuária Vista Alegre, Marcos Antônio Pompei, a proposta é ampliar o aproveitamento da cultura utilizando também raízes que atualmente possuem baixo valor comercial por estarem fora dos padrões do mercado de alimentos, agregando renda aos produtores e criando uma nova fonte de matéria-prima para a indústria de biocombustíveis.
Projeto amplia iniciativas em bioenergia
A parceria complementa outra iniciativa anunciada durante a Feicorte 2026, quando o ITESP e a Agropecuária Vista Alegre firmaram um protocolo de intenções para desenvolver projetos produtivos em assentamentos estaduais.
A proposta prevê estudos para o cultivo de 150 hectares de batata-doce destinados à produção de etanol e biometano, além de 80 hectares de eucalipto para biomassa, com potencial para beneficiar 45 famílias assentadas.
São Paulo lidera atualmente a produção nacional de batata-doce. Em 2025, o Estado produziu 149,5 mil toneladas da cultura, com Valor da Produção Agropecuária de R$ 183,95 milhões, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta). A região de Presidente Prudente respondeu por 81,5 mil toneladas, equivalentes a 54,5% da produção estadual, concentrando cerca de 180 produtores.


