Secretaria de Agricultura afirma que os danos não comprometem a continuidade dos experimentos científicos; Orplana ainda avalia a extensão dos impactos nos canaviais
O forte temporal que atingiu Ribeirão Preto e municípios da região na última sexta-feira, dia 24, danificou o Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC) e atingiu áreas de produção de cana-de-açúcar. Levantamento preliminar da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) estima que entre 30 mil e 40 mil hectares de canaviais foram afetados, embora a intensidade dos danos ainda esteja sendo avaliada por técnicos de cooperativas, usinas e associações de fornecedores.
Segundo o CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira, a área total afetada pelo temporal, considerando cidades, estradas, áreas verdes e diferentes culturas agrícolas, é estimada em aproximadamente 105 mil hectares na região. Desse total, entre 30 mil e 40 mil hectares correspondem a áreas cultivadas com cana.
“O que temos visto é muita divergência. Há casos em que parece que a cana passou por um ‘rolo-faca’, outros em que ela apenas deitou e também áreas onde praticamente não houve efeitos”, afirmou.
Segundo Nogueira, a estimativa inicial é que aproximadamente 60% da área de cana atingida tenha sofrido impactos mais severos. O levantamento, porém, ainda é preliminar e segue sendo validado por técnicos de cooperativas, usinas e associações.
Além dos impactos registrados nos canaviais, o temporal também provocou danos ao Centro de Cana do IAC, unidade de pesquisa localizada em Ribeirão Preto e referência nacional em melhoramento genético, ciência do solo, fitotecnia e manejo de pragas e doenças da cultura.
Na unidade são desenvolvidos trabalhos de melhoramento genético, ciência do solo, fitotecnia e manejo de pragas e doenças, responsáveis pelo desenvolvimento de 19 variedades de cana-de-açúcar destinadas ao setor sucroenergético e uma variedade para uso como forrageira.
Imagens divulgadas pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) mostram construções destelhadas, árvores e postes caídos e o desabamento de estruturas metálicas. Segundo a entidade, também houve danos às redes elétrica e de comunicação, dificultando o contato com os pesquisadores da unidade.
De acordo com a APqC, alguns laboratórios e áreas utilizadas para o armazenamento de insumos destinados às pesquisas também foram atingidos.
“Conversei com um colega da área, e ele relatou que acabou afetando alguns laboratórios. Além do prédio central, atingiu locais onde se guarda insumos para pesquisa, prejudicando um pouco o trabalho esses dias”, afirmou Sérgio Torquato, diretor da APqC.
Pesquisas serão remanejadas
Em nota, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo informou que ainda contabiliza os danos registrados no Centro de Cana e já trabalha no planejamento da recuperação dos espaços atingidos.
Segundo a pasta, algumas pesquisas precisarão ser remanejadas, mas, até o momento, não foram identificados prejuízos que comprometam a continuidade dos experimentos científicos desenvolvidos na unidade.
“Os danos se concentraram principalmente em estruturas físicas, como coberturas e instalações. Até o momento, não foram identificados prejuízos que comprometam a continuidade dos experimentos científicos e pesquisas desenvolvidas na unidade”, informou a secretaria.
A pasta acrescentou que o temporal apresentou características excepcionais. Dados de estações meteorológicas instaladas na região registraram rajadas de vento que chegaram a aproximadamente 160 km/h em Ribeirão Preto. Outras três estações de pesquisa localizadas na região registraram apenas interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Natália Cherubin para RPAnews


