EquipSea amplia atuação no setor sucroenergético com tecnologias desenvolvidas que antedem desafios como aumento de capacidade, eficiência energética, automação e redução dos custos operacionais
A necessidade de ampliar a capacidade de produção, aumentar a eficiência operacional e elevar a disponibilidade industrial tem impulsionado um novo ciclo de modernização das fábricas de açúcar. Em um cenário de crescente busca por competitividade, usinas vêm investindo em equipamentos que combinam automação, confiabilidade operacional, menor consumo energético e maior integração dos processos industriais.
Entre os principais desafios está produzir mais utilizando a estrutura já existente. Em muitas unidades, as limitações físicas do parque fabril restringem grandes ampliações, direcionando os investimentos para tecnologias capazes de reduzir custos de manutenção, minimizar paradas operacionais e elevar a eficiência das etapas de fabricação do açúcar.
Segundo o Diretor de Engenharia da EquipSea, Gilberto Racca Sandoval, praticamente todas as demandas recebidas pela empresa seguem esse objetivo. “Todo mundo quer produzir mais e gastar cada vez menos com o mesmo parque fabril.”
De acordo com ele, o desafio muitas vezes deixa de ser apenas a substituição de equipamentos e passa a ser o desenvolvimento de soluções que aumentem a produtividade dentro da estrutura disponível. Há usinas que precisam elevar significativamente sua produção, mas não dispõem de espaço para instalar novos equipamentos, exigindo alternativas que conciliem produtividade, segurança operacional e viabilidade econômica.
Engenharia voltada às demandas das usinas
Foi observando esse cenário que a EquipSea ampliou sua atuação no setor sucroenergético. Fundada em 2017 e consolidada no mercado de Óleo e Gás, a empresa está instalada em Piracicaba (SP), possui aproximadamente 11 mil metros quadrados de área produtiva e passou a desenvolver soluções para as principais etapas da fabricação de açúcar, apoiada por uma equipe formada por profissionais com mais de 30 anos de experiência nas áreas de projetos, processos, fabricação e aplicação.
Segundo o diretor Comercial da EquipSea, Cláudio José Evangelista, a aproximação com o setor ocorreu de forma natural justamente pelas demandas apresentadas pelas próprias usinas.
“O mercado passou a nos procurar como técnicos, como especialistas, para fornecer soluções. O mercado está carente de quem possa apoiá-lo, não mais fornecendo produtos apenas, mas apoiando na decisão e escolha de equipamentos”, afirmou durante participação no mais novo episódio do DaCanaCast (ASSISTA AQUI).
De acordo com ele, a proposta da empresa vai além do fornecimento de equipamentos. O objetivo é atuar junto às usinas na identificação de gargalos industriais, avaliando processos e indicando as soluções mais adequadas para cada realidade operacional.
Foi a partir dessas necessidades que a empresa estruturou seu portfólio para o setor sucroenergético. Segundo a EquipSea, os projetos foram desenvolvidos para atender demandas recorrentes das fábricas de açúcar, como aumento da capacidade de processamento, maior eficiência energética, redução das perdas, facilidade de manutenção e maior disponibilidade operacional.

Entre os principais equipamentos estão as centrífugas automáticas da linha AC G Force, projetadas para processar até 1.800 quilos de massa A por ciclo, operando em até 30 ciclos por hora. O equipamento reúne soluções voltadas à confiabilidade operacional, como sistema automatizado de descarga, monitoramento eletrônico, sensores de temperatura e vibração e interface desenvolvida para facilitar a operação e o acompanhamento dos parâmetros do processo.
A linha também contempla as centrífugas contínuas CF G Force, com capacidade para processar até 42 toneladas de massa B por hora, além dos secadores-esfriadores RCD Quattro, desenvolvidos para processar até 50 mil sacos de açúcar por dia. O equipamento foi projetado com câmaras independentes de secagem e resfriamento, buscando maior eficiência térmica, redução do arraste de cristais e menor consumo energético. O sistema de acionamento também foi concebido para reduzir a necessidade de manutenção e permitir a continuidade da operação mesmo diante de eventuais falhas em parte dos motores.
O portfólio inclui ainda os filtros prensa VBF XTRACT, destinados ao processamento do lodo proveniente dos decantadores de caldo, e os filtros rotativos a vácuo VDF XTRACT, desenvolvidos para aumentar a recuperação de açúcares residuais, reduzir a umidade da torta, mantendo o brix elevado do caldo filtrado, e otimizar os custos operacionais das usinas.

Automação amplia confiabilidade operacional
Além do desenvolvimento mecânico dos equipamentos, a empresa aposta na automação como uma das principais ferramentas para aumentar a eficiência industrial.
Os equipamentos foram concebidos para operar integrados aos sistemas das usinas, utilizando sensores capazes de monitorar continuamente parâmetros como temperatura, vibração, rotação e posição dos componentes. Segundo a empresa, esse acompanhamento permite antecipar necessidades de manutenção, reduzir o risco de falhas e aumentar a disponibilidade operacional.
“Cada hora parada é muito dinheiro que se perde”, ressaltou Cláudio Evangelista ao comentar a importância da disponibilidade industrial nas operações das usinas.
Segundo o gerente de Elétrica e Automação da EquipSea, Maurílio Naime Salvador, os equipamentos já são fornecidos preparados para integração aos Centros de Operação Integrada (COIs), permitindo monitoramento remoto e acompanhamento em tempo real das informações do processo.
“A máquina está preparada para isso. Se o cliente desejar, é possível instalar um gateway IoT para enviar essas informações para a nuvem e, a partir daí, criar dashboards e monitorar toda a operação”, explicou.
Outro diferencial apontado pela empresa é o desenvolvimento das interfaces homem-máquina seguindo os conceitos da norma ISA-101, priorizando telas mais intuitivas e objetivas para facilitar a operação.

Conectividade deve acelerar transformação das fábricas
Para os especialistas da EquipSea, a evolução das fábricas de açúcar passa pela integração entre engenharia, automação e análise de dados.
Segundo Maurílio Salvador, a conectividade já permite o monitoramento remoto dos equipamentos e cria as condições para aplicações futuras de inteligência artificial voltadas à otimização dos processos industriais.
Cláudio Evangelista avalia que a competitividade das usinas dependerá cada vez mais da capacidade de transformar dados em decisões e utilizar tecnologias que aumentem a eficiência operacional.
“Nós não somos uma empresa simplesmente vendedora de máquinas. Queremos ser parceiros do cliente na busca de soluções. Queremos que o cliente conte conosco para suportá-lo na tomada de decisões e na busca por resolver problemas.”
Natália Cherubin para RPAnews


