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Captura e armazenamento de carbono pode criar nova fonte de receita para usinas de etanol, afirma Fundag

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Presidente da fundação destaca potencial do CCS para transformar o CO₂ da produção de etanol em ativo econômico; tema será debatido durante o Carbonless Summit

A captura e o armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês para Carbon Capture and Storage) despontam como uma nova oportunidade de geração de receita para as usinas de etanol. A avaliação é do presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), ligada ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Osvaldo Brunini, que aponta a tecnologia como uma alternativa para transformar o dióxido de carbono gerado na produção de etanol em um ativo econômico.

“Com o CCS, as usinas de etanol podem transformar um passivo em oportunidade”, afirma Brunini. Segundo ele, regiões como a Bacia Geológica do Paraná apresentam condições favoráveis para o armazenamento geológico de carbono, permitindo que as usinas capturem o CO₂ e criem uma nova fonte de renda, ao mesmo tempo em que contribuem para a descarbonização de setores que enfrentam maior dificuldade para reduzir suas emissões.

A Bacia Geológica do Paraná abrange os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, além do Distrito Federal.

De acordo com Everton Oliveira, presidente da Hidroplan e um dos organizadores do Carbonless Summit, o modelo de negócios baseado no CCS permite que as usinas comercializem o carbono para empresas responsáveis pelo armazenamento, sem necessidade de investimentos diretos por parte da indústria.

“Neste modelo de negócios, a usina vende o carbono a uma outra empresa que irá armazená-lo, o que torna o retorno sobre o investimento excepcionalmente atrativo. A mesma lógica, por exemplo, aplicada ao bagaço da cana ou à vinhaça, que de sobras e resíduos passaram a ter valor de mercado para geração de energia e como fertilizante, respectivamente, passa a valer também para o carbono”, explica.

Segundo Oliveira, outro diferencial é que o dióxido de carbono gerado durante a fabricação do etanol apresenta elevado grau de concentração, estando praticamente pronto para ser armazenado, diferentemente do que ocorre em outros segmentos industriais, onde o gás precisa ser separado de outros componentes.

Ele destaca ainda que a cadeia de captura e armazenamento de carbono utiliza tecnologias já consolidadas pela indústria do petróleo. “Toda a ciência e tecnologia de ponta já consagradas na indústria do petróleo agora estão prontas para ampliar a sustentabilidade do setor sucroenergético, em particular do etanol, abrindo caminho para uma pegada negativa de carbono de um segmento que hoje já reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa”, afirma.

O tema será um dos destaques da segunda edição do Carbonless Summit, que será realizada em 2 de setembro, no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto (SP). Organizado pelo Instituto Água Sustentável, com apoio da CCS Brasil, o encontro também discutirá aspectos relacionados à regulação, licenciamento e mercado de armazenamento de carbono voltado às usinas de etanol, reunindo representantes da cadeia sucroenergética, autoridades e empresas fornecedoras de tecnologias e serviços para o setor.

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