Os contratos futuros do açúcar encerraram esta terça-feira (4) em alta nas bolsas internacionais, impulsionados por perspectivas de um mercado global mais apertado na safra 2026/27 e por preocupações com a produção em importantes regiões produtoras, como Brasil e Índia.
Na ICE de Nova York, o contrato com vencimento em outubro do açúcar bruto avançou 0,20%, fechando a 15,04 centavos de dólar por libra-peso, maior nível em três semanas. Em Londres, o açúcar branco para outubro subiu 0,69%, encerrando o dia cotado a US$ 472,70 por tonelada, maior patamar em quatro semanas.
O movimento foi sustentado por novas revisões nas projeções do balanço global. A Covrig Analytics passou a estimar um déficit de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão de superávit de 100 mil toneladas divulgada em junho. Nos últimos dias, outras consultorias também elevaram suas estimativas de déficit, como a Green Pool, que projeta um saldo negativo de 3,3 milhões de toneladas, e a StoneX, que revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas.
Além do cenário global, operadores acompanham os efeitos das chuvas sobre a safra brasileira. Segundo informações da Reuters, as precipitações recentes interromperam a colheita de cana no Centro-Sul e alimentaram avaliações de que a produção de açúcar poderá ficar abaixo das expectativas iniciais. O mercado também observa que as usinas vêm destinando uma parcela maior da cana para a produção de etanol em relação ao ano passado, reduzindo a oferta potencial de açúcar.
Em relatório, o Rabobank destacou que as previsões climáticas de médio prazo indicam uma probabilidade de chuvas acima da média no Centro-Sul brasileiro a partir de setembro, o que poderá tornar o ritmo da moagem um dos principais fatores para a formação dos preços nas próximas semanas.
As atenções também permanecem voltadas para a Índia. O Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas de monção entre agosto e setembro deverão ficar abaixo da média, enquanto o Ministério de Ciências da Terra alerta para a possibilidade de a temporada registrar o regime de monções mais fraco dos últimos 11 anos.
As preocupações climáticas são reforçadas pelo avanço do fenômeno El Niño. Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC), o evento pode se tornar um dos mais intensos dos últimos 75 anos, aumentando o risco de redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.
Apesar desse cenário de preocupação, o mercado segue monitorando a evolução das chuvas na Índia. O déficit acumulado das monções até 3 de agosto recuou para 12% abaixo da média histórica, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho, fator que chegou a pressionar os preços na semana passada diante da expectativa de uma recuperação da produção no país.
Com informações da Barchart e Reuters


