Durante participação no DaCanaCast, da RPAnews Cana & Indústria, especialista em matocompetição destacou que o controle das plantas daninhas deve começar antes mesmo da emergência
O controle das plantas daninhas antes mesmo da emergência continua sendo uma das estratégias mais eficientes para preservar a produtividade da cana-de-açúcar e reduzir os impactos sobre a operação agrícola. Ao impedir que as invasoras completem seu ciclo e elevem o banco de sementes no solo, o manejo em pré-emergência contribui para manter áreas mais limpas, diminuir a pressão de infestação e aumentar a eficiência das usinas ao longo dos ciclos produtivos.
O tema foi discutido no DaCanaCast, podcast da RPAnews Cana & Indústria, durante entrevista com o consultor e especialista em manejo de plantas daninhas Edson Baldan. Ao longo do episódio, o especialista explicou por que o controle deve começar antes mesmo da emergência das invasoras e reforçou que o sucesso depende da construção de um programa de manejo contínuo, aliado ao uso das tecnologias adequadas para cada situação.
“As melhores empresas e os melhores produtores praticamente não veem planta daninha. É uma batalha silenciosa. Nosso foco sempre deve ser reduzir o banco de sementes.”
Impacto vai além da produtividade
De acordo com Baldan, os prejuízos provocados pelas plantas daninhas vão muito além da redução da produtividade da lavoura. Dependendo da infestação e do manejo adotado, as perdas podem chegar a 50% ou até 65%, mas os impactos também atingem diretamente a eficiência operacional das usinas.
“O nosso foco sempre vai ser a redução do banco de sementes. Banco de sementes baixo, tranquilidade para a usina e para o produtor.”
Durante a entrevista, o consultor explicou que espécies como capim-colonião, braquiária, entre outras que dificultam a colheita mecanizada, reduzem a velocidade operacional, aumentam o risco de embuchamentos e elevam o desgaste dos equipamentos.
Segundo ele, a colheita representa aproximadamente 46% a 50% dos custos agrícolas de uma usina, tornando o controle eficiente das plantas daninhas uma estratégia importante também para reduzir custos operacionais.
Outro ponto abordado por Baldan foi a influência da mecanização da colheita na disseminação de algumas plantas daninhas. Segundo o especialista, sementes podem ser transportadas pelas próprias colhedoras entre diferentes áreas de produção, favorecendo a expansão de espécies invasoras.
Drones ampliam a eficiência das aplicações
Além do manejo preventivo, Baldan destacou o avanço do uso de drones na aplicação de herbicidas. Segundo ele, a tecnologia amplia as possibilidades de manejo, principalmente em reboleiras e áreas específicas, permitindo maior precisão nas aplicações, racionalização do uso dos produtos e redução dos custos operacionais.
Na avaliação do especialista, os drones vêm ganhando espaço tanto em aplicações localizadas quanto em operações em área total, tornando-se uma ferramenta importante para complementar programas de manejo.
Como exemplo, ele citou um caso acompanhado por sua equipe em uma área de aproximadamente 250 hectares, na qual uma aplicação convencional teria custo estimado de cerca de R$ 35 mil. Com a utilização de drones em aplicações localizadas, esse valor ficou em torno de R$ 8 mil.
“O drone deixou de ser apenas uma novidade. Hoje ele é um robô em escala comercial dentro da agricultura.”
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Manejo deve integrar diferentes estratégias
Ao longo da entrevista, Baldan reforçou que nenhuma tecnologia, isoladamente, resolve o problema das plantas daninhas. Segundo ele, o sucesso depende da combinação entre planejamento, monitoramento constante das áreas, conhecimento da flora infestante, rotação de culturas, tecnologias de aplicação e herbicidas com diferentes mecanismos de ação.
Na avaliação do consultor, investir em manejo preventivo continua sendo mais eficiente do que atuar apenas quando as plantas daninhas já estão estabelecidas.
Entre as tecnologias discutidas durante o episódio, Baldan destacou o Prowl® H2O, da BASF, como sendo uma das mais modernas, devido a sua formulação encapsulada, o que representa uma evolução da molécula pendimetalina ao favorecer a transposição da palha, ampliar a estabilidade do ingrediente ativo e aumentar a eficiência do controle em áreas de cana colhida sem queima.
Na avaliação do consultor, o diferencial da tecnologia está em adaptar uma molécula já conhecida às atuais condições de produção da cana-de-açúcar, oferecendo maior flexibilidade para compor programas de manejo em pré-emergência e também aplicações complementares ao longo do ciclo.
Baldan ressaltou ainda que a elevada seletividade do herbicida amplia suas possibilidades de utilização no manejo de gramíneas de difícil controle. Segundo ele, tecnologias como essa devem ser utilizadas como parte de um programa integrado de manejo, associado ao monitoramento das áreas, à rotação de mecanismos de ação e ao uso de diferentes ferramentas para manter o banco de sementes sob controle.

Planejamento deve acompanhar todo o ciclo da cultura
Segundo o especialista, reduzir investimentos em manejo durante períodos de maior restrição financeira pode comprometer os resultados das safras seguintes e aumentar o banco de sementes no campo, dificultando o controle das invasoras nos ciclos posteriores.
“É fazer o arroz com feijão mesmo. Bem feito. A gente tem que conhecer de moléculas, usar essas tecnologias, combinar elas na pré-emergência, entender qual é a flora para combinar o produto para aquela situação.”
Para Baldan, o manejo deve ser encarado como um investimento estratégico para preservar a produtividade, reduzir custos operacionais e evitar problemas que podem comprometer o desempenho do canavial nos anos seguintes.
“Às vezes, economizar justamente no manejo de plantas daninhas é como ter uma Ferrari e andar sem seguro”, finaliza.
Natália Cherubin


