Demanda física mais fraca e valorização do dólar pressionaram as cotações durante a sessão
Os preços do açúcar encerraram a sessão de quarta-feira sem direção única nas bolsas internacionais, após atingirem mínimas de uma semana e meia durante o dia. Em Nova York, o açúcar bruto para outubro avançou 0,17%, cotado a 17,97 centavos de dólar por libra-peso. Mais cedo, o contrato chegou a 17,68 centavos de dólar por libra-peso, menor nível desde 3 de setembro. Em Londres, o açúcar branco para dezembro recuou 0,44%, para US$ 524,00 por tonelada.
A pressão sobre as cotações veio de sinais de demanda física mais fraca. Foram entregues 499,35 mil toneladas de açúcar contra o contrato de outubro em Londres, que expirou na terça-feira. O volume ficou 91% acima das 260,75 mil toneladas utilizadas na liquidação do mesmo contrato no ano passado e está entre as maiores entregas já registradas para um vencimento de outubro.
A valorização do dólar também pesou sobre o mercado. O índice da moeda norte-americana atingiu máxima de um mês durante a sessão, estimulando a liquidação de posições compradas nos futuros de açúcar.
As posições dos fundos seguem elevadas. Dados do relatório semanal de Compromissos dos Traders (COT) mostram que os fundos ampliaram em 28.055 contratos sua posição líquida comprada em açúcar em Nova York na semana encerrada em 8 de setembro, chegando a 160.551 contratos, maior nível em quase três anos.
Déficit global segue no radar
Na semana passada, o açúcar bruto em Nova York atingiu máxima de 17 meses, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou o maior nível em três semanas, apoiados pelas perspectivas de déficit no mercado mundial.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na temporada 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corporation estima que a produção de açúcar em 2026/27 poderá cair 17% na comparação anual, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Outras consultorias também projetam déficit. A Covrig Analytics estima um saldo negativo de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX projeta déficit de 1,7 milhão de toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com a produção mundial recuando 0,7% em relação ao ciclo anterior, para 177 milhões de toneladas, diante de menores plantios e impactos climáticos principalmente na Índia, União Europeia e Tailândia.



