Preocupações com o ritmo da colheita brasileira deram suporte ao açúcar bruto, enquanto revisão da StoneX para o déficit global pressionou as cotações
Os contratos futuros do açúcar encerraram a quarta-feira em direções opostas nas bolsas internacionais, com o mercado acompanhando os efeitos das chuvas sobre a colheita de cana no Brasil e uma nova estimativa para o balanço global da commodity. Segundo a Barchart, o açúcar bruto para outubro avançou 0,91% em Nova York, para 17,75 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco para dezembro recuou 0,37% em Londres, para US$ 506,00 por tonelada.
As preocupações de que as chuvas no Brasil estejam desacelerando a colheita de cana-de-açúcar deram suporte às cotações durante a sessão. Os preços, porém, perderam força após a StoneX reduzir sua estimativa para o déficit global de açúcar na temporada 2026/27.
A consultoria passou a projetar um déficit de 900 mil toneladas, frente à estimativa de 1,7 milhão de toneladas divulgada em julho.
Demanda segue no radar
Apesar da recuperação em Nova York, o mercado continua pressionado por preocupações relacionadas à demanda. Na terça-feira, o açúcar bruto havia atingido a mínima de um mês, enquanto o açúcar branco recuou ao menor nível em um mês e meio.
Um dos sinais acompanhados pelo mercado foi a entrega de 499.350 toneladas de açúcar contra o contrato de outubro em Londres, que expirou na semana passada. O volume ficou 91% acima do registrado no mesmo período do ano anterior e foi um dos maiores já observados para um contrato de outubro, sinalizando fraqueza na demanda física.
Outro ponto de atenção é o posicionamento dos fundos de commodities. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostraram que os fundos elevaram em 791 contratos sua posição líquida comprada em açúcar em Nova York na semana encerrada em 15 de setembro, chegando a 161.342 contratos, o maior nível em quase três anos. Esse volume elevado de posições compradas pode ampliar movimentos de liquidação caso aumente a pressão sobre os preços.
Déficit global
No início do mês, as expectativas de aperto na oferta global haviam impulsionado as cotações. Em 10 de setembro, o açúcar em Nova York atingiu a máxima em 17 meses e uma semana.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na temporada 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, segundo projeção da Thai Sugar Millers Corp divulgada em setembro, a produção de açúcar em 2026/27 pode cair 17% na comparação anual, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Com informações da Barchart



