Chuvas previstas para o Centro-Sul do Brasil impulsionaram compras de fundos; déficit global e riscos associados ao El Niño também deram suporte às cotações
Os preços internacionais do açúcar encerraram a sexta-feira em forte alta, impulsionados por riscos climáticos e compras de fundos. Na Bolsa de Nova York, o contrato março do açúcar bruto avançou 5,23%, para 19,96 centavos de dólar por libra-peso, atingindo a máxima de 1,5 ano entre os contratos mais próximos. Em Londres, o dezembro do açúcar branco subiu 4,77%, cotado a US$ 531,50 por tonelada, alcançando o maior nível em duas semanas e meia, segundo a Barchart.
As preocupações com o clima estimularam as compras de contratos futuros. A previsão de chuvas para a região produtora de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil ao longo da próxima semana pode interromper a moagem nas usinas e restringir a disponibilidade de açúcar.
As perspectivas de déficit global também seguem dando suporte às cotações. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou, em setembro, déficit mundial de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, ante superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp estima que a produção de açúcar em 2026/27 possa recuar 17% na comparação anual, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Outro fator altista é a preocupação com os efeitos de um evento de El Niño sobre a produção mundial. Segundo a Barchart, um Super El Niño pode reduzir as chuvas em Brasil, Índia e Tailândia, três das principais regiões produtoras de açúcar do mundo.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o padrão de El Niño surgido no Pacífico Equatorial poderá estar entre os mais fortes dos últimos 75 anos.
A Covrig Analytics também projeta déficit mundial de açúcar em 2026/27. A consultoria estima saldo negativo de 300 mil toneladas, ante previsão anterior, divulgada em junho, de superávit de 100 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit global de 2,9 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, as usinas brasileiras deverão direcionar mais matéria-prima para a produção de etanol em detrimento do açúcar diante da alta recente dos preços do petróleo.
A Czarnikow estima ainda que a produção mundial de açúcar recue 0,7% em 2027/28, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de impactos climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia.
Com informações da Barchart


