Açúcar bruto alcança maior nível em 19 meses; valorização do real e perspectivas de déficit mundial também sustentam as cotações
Os preços do açúcar dispararam na segunda-feira nas bolsas internacionais, segundo a Barchart, diante dos riscos climáticos para importantes regiões produtoras e das dificuldades provocadas pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil. Em Nova York, o contrato março/27 do açúcar bruto avançou 0,80 centavo, ou 4,01%. Em Londres, o açúcar branco dezembro/26 subiu US$ 16,10, alta de 3,03%.
Com o movimento, o açúcar bruto atingiu o maior nível para o contrato mais próximo em 19 meses, enquanto o açúcar branco alcançou a máxima em cerca de um mês e meio.
Um dos principais fatores de sustentação das cotações são as chuvas persistentes no Centro-Sul brasileiro. De acordo com a Barchart, as precipitações vêm reduzindo o ritmo da colheita da cana-de-açúcar e causando interrupções na moagem das usinas, restringindo a oferta e estimulando compras de contratos futuros por fundos.
A valorização do real também reforçou os ganhos durante a sessão. A moeda brasileira avançou para o maior nível em quatro meses e meio frente ao dólar. Um real mais forte tende a desestimular as vendas externas dos produtores brasileiros de açúcar, já que reduz a remuneração obtida em moeda local com as exportações.
Déficit global amplia suporte aos preços
As perspectivas para o balanço mundial de açúcar também continuam dando sustentação ao mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou, em 1º de setembro, déficit global de 200 mil toneladas para a temporada 2026/27, ante superávit de 1,1 milhão de toneladas estimado para 2025/26.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corporation projetou que a produção de açúcar do país poderá recuar 17% na comparação anual em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
O mercado também acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção global. A preocupação é de que condições mais secas possam reduzir as chuvas no Brasil, na Índia e na Tailândia, três das principais regiões produtoras de açúcar do mundo.
Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, citado pela Barchart, o El Niño que se formou no Pacífico Equatorial no mês passado poderá estar entre os mais fortes registrados em mais de 75 anos.
Com informações da Barchart


