Bruto atinge máxima de 19 meses em Nova York; mercado também reage à valorização do real, déficit global e restrições de oferta na Índia
Os preços do açúcar voltaram a subir nas bolsas internacionais na terça-feira, segundo a Barchart. Em Nova York, o contrato março/27 do açúcar bruto avançou 0,09 centavo, ou 0,43%, enquanto o açúcar branco dezembro/26, negociado em Londres, subiu US$ 8,90, alta de 1,63%.
O movimento prolongou a forte valorização observada na última semana. Em Nova York, o açúcar atingiu a maior cotação para o contrato mais próximo em 19 meses, enquanto, em Londres, os preços alcançaram a máxima em sete semanas.
Entre os principais fatores de sustentação estão as chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil, que vêm atrasando a colheita da cana-de-açúcar e interrompendo a moagem nas usinas, restringindo a oferta.
A valorização do real também deu suporte às cotações. Na terça-feira, a moeda brasileira atingiu o maior nível em 4,75 meses frente ao dólar, movimento que tende a desestimular as exportações de açúcar pelos produtores brasileiros.
Déficit global reforça cenário de aperto
As perspectivas para o balanço mundial também seguem favoráveis aos preços. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
A Covrig Analytics também projeta déficit de 300 mil toneladas para 2026/27, após estimar anteriormente superávit de 100 mil toneladas.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corporation prevê queda de 17% na produção em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas e queda de 0,7% na produção mundial, para 177 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, o recuo deve ser provocado principalmente por problemas climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia, além da possibilidade de maior direcionamento de cana para a produção de etanol no Brasil.
O mercado também acompanha os possíveis impactos do El Niño sobre a oferta global. A preocupação é de que o fenômeno reduza as chuvas no Brasil, Índia e Tailândia.
Na Índia, as chuvas acumuladas durante a temporada de monções ficaram 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, no pior resultado em 11 anos, segundo o Departamento Meteorológico do país.
Outro sinal de aperto na oferta veio da decisão da Índia de permitir a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. O país é tradicionalmente exportador e não realizava importações relevantes de açúcar desde a temporada 2017/18.
Com informações da Barchart


