Contratos em Nova York e Londres devolveram ganhos após moeda americana atingir maior nível em um ano e meio; posições compradas dos fundos ampliam pressão sobre as cotações
Os preços internacionais do açúcar encerraram a quarta-feira (14) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pela forte valorização do dólar e pela liquidação de posições compradas por fundos de investimento. Segundo informações da Barchart, o açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 1,28% na ICE Futures, encerrando a 20,84 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 caiu 1,25%, equivalente a US$ 7, fechando a US$ 554,90 por tonelada.
O elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de investimento também aumenta a vulnerabilidade do mercado a movimentos de realização de lucros. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na última sexta-feira, os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em açúcar na bolsa de Nova York em 60.442 contratos na semana encerrada em 6 de outubro.
Com isso, a posição líquida comprada alcançou 212.559 contratos, o maior volume em mais de três anos. Esse nível de exposição pode intensificar as quedas quando os investidores decidem reduzir suas posições.
Apesar do recuo, o açúcar acumula uma forte valorização nas últimas três semanas, sustentada principalmente pelas condições climáticas no Centro-Sul do Brasil. Nesta quarta-feira, o açúcar bruto em Nova York chegou a atingir uma nova máxima em 19 meses antes de devolver os ganhos. Já o açúcar branco em Londres havia alcançado, na semana anterior, o maior patamar em 22 meses.
As chuvas persistentes nas regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro têm dificultado o andamento da colheita e provocado interrupções nas operações de moagem das usinas, restringindo a disponibilidade de açúcar no mercado.
Perspectiva de déficit mundial segue sustentando o mercado
Além das dificuldades operacionais no Brasil, as expectativas de menor oferta global continuam oferecendo suporte às cotações internacionais.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou, em 1º de setembro, um déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo o superávit estimado de 1,1 milhão de toneladas para a temporada 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corp estimou uma redução de 17% na produção da safra 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
Embora esses fatores continuem sustentando as perspectivas de oferta, a valorização do dólar e o elevado posicionamento comprado dos fundos prevaleceram nas negociações de quarta-feira, interrompendo a trajetória de alta das cotações.
Com informações da Barchart

