Volume recuou para 22,98 milhões de toneladas nos primeiros sete meses de 2026, em meio à alta dos custos dos insumos, restrições de crédito e incertezas no mercado internacional
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 22,98 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, queda de 8,8% em relação aos 25,21 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano passado. Segundo dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o recuo ganhou intensidade a partir de maio, refletindo o cenário de instabilidade geopolítica, o aumento dos custos dos insumos, as dificuldades de acesso ao crédito e as incertezas climáticas.
Somente em julho, as entregas totalizaram 3,96 milhões de toneladas, redução de 22,3% frente aos 5,09 milhões de toneladas comercializados no mesmo mês de 2025. De acordo com a entidade, os meses de maio, junho e julho apresentaram retrações entre 15% e 20%, indicando uma desaceleração das compras de fertilizantes ao longo do ano.
A ANDA explica que o mercado iniciou 2026 com desempenho positivo, favorecido pela boa safra de milho de segunda safra, conhecida como safrinha. Entretanto, o agravamento das tensões geopolíticas, especialmente após o início da guerra no Irã, contribuiu para a desaceleração de novos negócios, movimento que passou a aparecer nas estatísticas de entregas a partir de maio e poderá afetar o abastecimento para a safra 2026/27.
Além do cenário internacional, as relações de troca acima das médias históricas, os juros elevados, a escassez de crédito e os riscos de recuperações judiciais têm influenciado as decisões de compra dos produtores. As incertezas climáticas, especialmente relacionadas ao El Niño, também compõem esse ambiente de cautela.
Entre os estados, Mato Grosso manteve a liderança nas entregas de fertilizantes, com 5,83 milhões de toneladas até julho, o equivalente a 25,4% do volume nacional. Na sequência aparecem Paraná, com 2,60 milhões de toneladas; Goiás, com 2,45 milhões; e São Paulo, com 2,36 milhões. Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais registraram, respectivamente, 1,70 milhão, 1,65 milhão e 1,64 milhão de toneladas.
Produção nacional e importações também recuam
A produção brasileira de fertilizantes intermediários somou 3,34 milhões de toneladas entre janeiro e julho, queda de 19,7% em relação aos 4,16 milhões de toneladas produzidos no mesmo intervalo de 2025. Apenas em julho, foram fabricadas 517 mil toneladas, redução de 19,9% na comparação anual.
Segundo a ANDA, parte da retração está relacionada à elevação dos preços do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados. A entidade ressalta, entretanto, que os dados de produção nacional não contemplam integralmente os volumes produzidos no período, especialmente de ureia e cloreto de potássio, devido a mudanças societárias e à retomada de operações em algumas unidades.
As importações também registraram queda. De janeiro a julho, o Brasil recebeu 21,23 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, volume 7,6% inferior aos 22,98 milhões de toneladas importados no mesmo período de 2025.
Em julho, os desembarques chegaram a 3,54 milhões de toneladas, retração de 21,4% na comparação anual.
O Porto de Paranaguá, principal porta de entrada de fertilizantes no país, recebeu 5,40 milhões de toneladas nos primeiros sete meses do ano, queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O terminal respondeu por 25,4% das importações brasileiras do produto, conforme dados do Siacesp/MDIC apresentados pela ANDA.
Nitrogenados preocupam para os próximos ciclos agrícolas
O ritmo mais lento das importações e das entregas domésticas aumenta a atenção sobre a disponibilidade de fertilizantes nos próximos meses, especialmente diante da expectativa de continuidade do crescimento da produção agrícola brasileira.
Entre os nutrientes, os nitrogenados aparecem como um dos principais pontos de preocupação. De acordo com os indicadores apresentados, as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram aproximadamente 20% abaixo das registradas nos oito primeiros meses de 2025.
O dado é relevante porque a segunda metade do ano costuma concentrar maior demanda por esses fertilizantes, principalmente em função do planejamento das próximas safras e das aplicações na cultura do milho.
Apesar da redução nas compras, a demanda estrutural por fertilizantes permanece sustentada pela expansão da agricultura brasileira. A principal mudança está relacionada à capacidade financeira dos produtores e ao momento escolhido para a aquisição dos insumos.
Nesse contexto, a evolução das importações e dos estoques disponíveis será determinante para o abastecimento nos próximos ciclos agrícolas. Caso os desembarques continuem abaixo dos níveis de 2025, enquanto a demanda se intensifica, o mercado poderá enfrentar menor disponibilidade de produtos. Por outro lado, a chegada das cargas programadas e uma recuperação das compras pelos produtores poderão aliviar parte dessa pressão.