Volume representa 16,7% da moagem prevista para o ciclo; NovaBio aponta expectativa de mix mais alcooleiro, enquanto produção de açúcar cresce 3,3% e a de etanol recua 7,5%
A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste alcançou 9,943 milhões de toneladas no acumulado da safra 2026/27 até 15 de setembro, crescimento de 0,1% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O volume representa 16,7% da previsão de processamento para a atual temporada, estimada em quase 60 milhões de toneladas. Segundo levantamento da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), elaborado com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o início da safra apresenta expectativa de um mix mais alcooleiro, com 50,49% da cana processada destinada à fabricação de etanol.
A NovaBio representa 35 usinas distribuídas em 11 estados das regiões Norte e Nordeste. De acordo com a entidade, o desempenho da moagem apresenta diferenças entre as duas regiões. No Norte, foram processadas 4 milhões de toneladas de cana até 15 de setembro, redução de 3,6% em relação ao mesmo período da safra passada. Já no Nordeste, a moagem alcançou 5,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,9% na comparação anual.
O presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, destaca que a temporada também começa sob o impacto da redução da cota de importação de açúcar brasileiro pelos Estados Unidos, mercado para o qual o Nordeste possui prioridade no preenchimento da cota de exportação do Brasil.
“Com o corte de 56 mil toneladas na cota de açúcar importado do Brasil, o total a ser embarcado para os Estados Unidos ficou em 100 mil toneladas”, afirma Cunha.
Produção de açúcar cresce, enquanto etanol registra queda
Apesar da expectativa de maior direcionamento da cana para o etanol, a produção de açúcar nas duas regiões apresentou crescimento no início da temporada. Até 15 de setembro, foram fabricadas 294 mil toneladas do adoçante, alta de 3,3% em relação ao mesmo período da safra 2025/26.
Em contrapartida, a produção acumulada de etanol totalizou 544 mil metros cúbicos, redução de 7,5% na comparação anual.
Desse volume, 231,5 mil metros cúbicos corresponderam ao etanol anidro, queda de 7,6% frente ao mesmo intervalo da safra anterior. Já a fabricação de hidratado alcançou 312,4 mil metros cúbicos, recuo de 7,5%.
Os indicadores de Açúcar Total Recuperável (ATR), utilizado para avaliar a qualidade da matéria-prima, também apresentaram redução. Segundo a NovaBio, o volume de ATR destinado aos produtos finais caiu 5,1% no acumulado até 15 de setembro, enquanto o índice de ATR por tonelada de cana recuou 5,3% em relação ao mesmo período do ciclo passado.
Em relação ao avanço da safra, a moagem acumulada corresponde a 16,7% do total projetado para as regiões Norte e Nordeste. Considerando os resultados separadamente, a região Norte já alcançou 52,4% da moagem prevista para a temporada, enquanto o Nordeste atingiu 11,3%.
Estoques de etanol de cana recuam 24,73%
O levantamento também aponta redução dos estoques de etanol de cana-de-açúcar nas duas regiões. Até 15 de setembro, o volume armazenado somava 189 mil metros cúbicos, queda de 24,73% em relação ao registrado na mesma data da safra anterior.
Em sentido contrário, os estoques de etanol produzido a partir do milho alcançaram 4 mil metros cúbicos, crescimento de 155,62% na comparação anual.
Considerando os dois tipos de matéria-prima, os estoques totais de etanol nas regiões Norte e Nordeste encerraram o período em 193 mil metros cúbicos.
Com a moagem ainda em fase inicial, os dados da NovaBio mostram ritmos distintos entre o Norte e o Nordeste, acompanhados de redução na qualidade da cana e na produção de etanol. Embora o direcionamento da matéria-prima indique um mix mais alcooleiro, o resultado da temporada dependerá do avanço das operações até que seja alcançado o volume de moagem previsto para 2026/27.
