Chuvas no Centro-Sul prejudicam a moagem de cana-de-açúcar, enquanto revisão da Covrig Analytics aponta aumento do déficit global de açúcar para 2026/27
Os preços futuros do açúcar encerraram a quarta-feira (28) em alta nas bolsas de Nova York e Londres, impulsionados pelas preocupações com a redução da produção brasileira. Segundo informações da S&P Global Energy, divulgadas pela Barchart, as usinas do Centro-Sul do Brasil produziram aproximadamente 2 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de outubro, volume 2,5 milhões de toneladas inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As chuvas persistentes associadas ao fenômeno El Niño têm dificultado a colheita e reduzido o ritmo de moagem de cana-de-açúcar na região.
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março de 2027 avançou 0,73%, ou 0,14 centavo de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 registrou valorização de 1,25%, equivalente a US$ 6,50 por tonelada.
Apesar da recuperação, os preços do açúcar em Nova York ainda acumulam perdas expressivas na semana. Segundo a Barchart, as cotações recuaram fortemente na segunda-feira, acompanhando a desvalorização do real brasileiro. A moeda chegou a perder cerca de 9% de seu valor e, embora tenha recuperado parte das perdas, ainda registrava desvalorização próxima de 8% na semana.
O enfraquecimento do real tende a estimular as exportações brasileiras de açúcar, uma vez que aumenta a receita em moeda nacional obtida com as vendas realizadas em dólar. Esse movimento pode ampliar a oferta da commodity no mercado internacional e pressionar as cotações. O Brasil responde por aproximadamente 24% da produção mundial de açúcar e mais de 50% das exportações globais, conforme dados citados pela Barchart.
Covrig eleva projeção de déficit global de açúcar
Outro fator que contribuiu para sustentar os preços foi a revisão das estimativas de oferta e demanda mundial pela Covrig Analytics. A consultoria elevou sua projeção de déficit global de açúcar para a safra 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas.
Para a temporada 2025/26, a Covrig também reduziu significativamente sua estimativa de superávit, de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas. A revisão considera a menor produção brasileira de açúcar e o aumento das importações pela Índia, fatores que contribuem para reduzir a disponibilidade global da commodity.
A combinação entre as dificuldades na colheita e na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro e as perspectivas de menor oferta mundial deu suporte à recuperação dos preços internacionais. Entretanto, a desvalorização do real continua sendo um fator de pressão sobre as cotações, diante do possível estímulo às exportações brasileiras.
Com informações da Barchart



