Produção indiana supera em mais de oito vezes o volume registrado no mesmo período da safra anterior; açúcar bruto atinge menor nível em cinco semanas
Os preços futuros do açúcar encerraram a terça-feira (3) em forte queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pelo avanço da produção na Índia e pelas perspectivas de maior oferta global da commodity. Segundo a Barchart, o açúcar bruto negociado em Nova York atingiu o menor nível em cinco semanas, enquanto o açúcar branco em Londres recuou ao menor patamar em três meses.
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março de 2027 caiu 3,83%, equivalente a 0,73 centavo de dólar por libra-peso, encerrando a sessão a 18,33 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 recuou 1,81%, ou US$ 9,20, fechando a US$ 500,20 por tonelada.
A principal pressão sobre as cotações veio dos números da produção indiana. De acordo com a Federação Nacional das Cooperativas de Usinas de Açúcar da Índia, o país produziu 845 mil toneladas de açúcar na safra até o final de outubro, volume mais de oito vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O avanço reforçou as expectativas de maior disponibilidade do produto no mercado.
A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) informou que a safra 2026/27 começou dentro do cronograma previsto, com aproximadamente 107 usinas iniciando as operações de moagem. Segundo a entidade, os estoques de passagem de 3,6 milhões de toneladas da temporada 2025/26 garantem uma posição confortável de abastecimento no país.
Apesar do aumento inicial da produção, as condições climáticas continuam sendo acompanhadas pelo mercado. Entre junho e setembro, período das monções, as chuvas na Índia ficaram 12,6% abaixo da média, no menor volume registrado em 11 anos.
Desvalorização do real também pressiona as cotações
Outro fator que contribuiu para a queda dos preços foi a desvalorização do real brasileiro frente ao dólar. Segundo a Barchart, a moeda brasileira atingiu, na segunda-feira (2), o menor patamar em aproximadamente dez meses e uma semana em relação à divisa norte-americana.
O enfraquecimento do real tende a estimular as exportações brasileiras de açúcar, uma vez que aumenta a receita em moeda nacional obtida com as vendas externas denominadas em dólar. A possibilidade de ampliação da oferta brasileira no mercado internacional acrescentou pressão às cotações.
De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citados pela Barchart, o Brasil responde por aproximadamente 23% da produção mundial de açúcar e por mais de 50% das exportações globais da commodity.



