Recuo de 8% do petróleo WTI e avanço da produção indiana pressionaram as cotações, enquanto a desvalorização do dólar favoreceu a recuperação do açúcar bruto
Os preços futuros do açúcar encerraram a quarta-feira (4) em direções opostas nas bolsas internacionais, em uma sessão marcada pela forte queda do petróleo e pelas expectativas de aumento da oferta global da commodity. Enquanto o açúcar bruto negociado em Nova York conseguiu recuperar as perdas e fechar em alta, impulsionado pelo enfraquecimento do dólar, o açúcar branco em Londres recuou ao menor patamar em três meses. Segundo a Barchart, a queda de 8% nas cotações do petróleo WTI, que atingiu o menor nível em quatro semanas, foi um dos principais fatores de pressão sobre o mercado.
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março de 2027 avançou 0,76%, equivalente a 0,14 centavo de dólar por libra-peso, encerrando a sessão a 18,47 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 recuou 0,54%, ou US$ 2,70, fechando a US$ 497,50 por tonelada.
A forte desvalorização do petróleo pressionou o mercado açucareiro devido à relação entre os preços dos combustíveis e as decisões de produção das usinas. O enfraquecimento do petróleo tende a reduzir a competitividade do etanol, podendo estimular o direcionamento de uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, o que aumentaria a disponibilidade do produto no mercado internacional.
Apesar desse cenário, o açúcar bruto conseguiu reverter as perdas em Nova York. A recuperação foi favorecida pela queda do índice do dólar ao menor nível em cinco semanas, movimento que estimulou a cobertura de posições vendidas nos contratos futuros da commodity.
Avanço da produção indiana mantém pressão sobre o mercado
Além das oscilações do petróleo e do dólar, o aumento da produção de açúcar na Índia continua pesando sobre as cotações internacionais. Segundo a Barchart, os preços apresentam tendência de queda nas últimas três semanas, com o açúcar bruto em Nova York atingindo, na terça-feira (3), o menor nível em cinco semanas, enquanto Londres renovou, na quarta-feira, a mínima de três meses.
De acordo com a Federação Nacional das Cooperativas de Usinas de Açúcar da Índia, a produção do país alcançou 845 mil toneladas até o final de outubro, volume mais de oito vezes superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.
A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) informou que a safra 2026/27 começou dentro do cronograma previsto, com aproximadamente 107 usinas iniciando as operações de moagem.
Segundo a entidade, os estoques de passagem de 3,6 milhões de toneladas da safra 2025/26 asseguram uma posição confortável de abastecimento no país, reforçando as perspectivas de maior disponibilidade de açúcar.
Por outro lado, as condições climáticas permanecem como um fator de atenção para a produção indiana. Entre junho e setembro, período das monções, as precipitações ficaram 12,6% abaixo da média histórica, no menor volume registrado em 11 anos.
O cenário de maior produção inicial na Índia, combinado à pressão exercida pelos preços do petróleo, continua influenciando o mercado internacional de açúcar, apesar da recuperação pontual observada em Nova York.
Com informações da Barchart



