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“A COP30 foi muito melhor do que esperávamos”, afirma Roberto Rodrigues

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O ex-ministro da Agricultura e coordenador-geral do FGVAgro, Roberto Rodrigues, afirmou durante sua palestra de abertura no Summit Agro Estadão 2025, em São Paulo (SP), que a participação brasileira na COP30, encerrada na semana passada em Belém (PA), marcou um salto histórico na projeção internacional da agricultura tropical do país. “A COP30 foi muito melhor do que esperávamos”, assegurou.

Rodrigues destacou que o Brasil conseguiu mostrar ao mundo, de forma concreta, a dimensão tecnológica e sustentável do seu agronegócio na AgriZone, espaço destinado ao setor agropecuário montado na sede da Embrapa na capital paraense.

Segundo ele, mais de 40 delegações estrangeiras visitaram a vitrine tecnológica – espaço que exibiu sistemas de baixa emissão, integração lavoura-pecuária-floresta e até cultivos inesperados, como trigo plantado na capital paraense.

Os visitantes, segundo o ex-ministro, saíram “perplexos” com o nível de inovação. “Não adianta fazer 500 discursos. O estrangeiro só acredita quando vê. E desta vez ele viu”, afirmou, ao destacar que até brasileiros que atuam no setor ficaram impressionados com a demonstração.

Rodrigues avaliou que a COP30 superou expectativas tanto em organização quanto em resultados políticos. Ele elogiou o trabalho do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 e responsável por conduzir negociações complexas em meio a divergências internacionais.

“Embora temas como biocombustíveis não tenham avançado no texto final, o diplomata conseguiu inserir o assunto como prioridade para o próximo ciclo de negociações, até a COP31, na Turquia”, disse Rodrigues. Para o ex-ministro, o resultado não refletiu toda a ambição desejada globalmente, mas abriu caminho para debates mais profundos no ano seguinte.

Rodrigues também explicou que, como enviado especial para a agricultura na COP30, articulou junto ao Instituto Pensar Agro (IPA) a elaboração de um documento-base para orientar a atuação do Brasil no tema.

Ele solicitou que as 56 entidades representadas pelo IPA enviassem propostas e prioridades para a consolidação de uma agenda brasileira de agricultura sustentável. Recebeu 55 documentos, que estão sendo organizados pela FGV para subsidiar ações de longo prazo. O objetivo, segundo ele, é tornar mais visíveis as tecnologias desenvolvidas no País e acelerar sua adoção global.

Rodrigues reforçou também que o Brasil tem condições de liderar a agenda internacional que conecta agricultura e clima, desde que consiga comunicar melhor seus resultados. Repetiu que o agro brasileiro é competitivo, tropical e sustentável – e que, quando estrangeiros testemunham isso presencialmente, deixam de lado percepções equivocadas. “Se a agricultura for bem-feita, ela é solução. O Brasil mostrou isso. Agora o mundo viu”, concluiu.

Agência Estado| Tânia Rabello

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