Home Últimas Notícias A Raízen entrou oficialmente na contagem regressiva
Últimas NotíciasOpinião

A Raízen entrou oficialmente na contagem regressiva

Compartilhar

A questão já não é mais a ação abaixo de R$ 1. A B3 concedeu à Raízen um novo prazo, até 31 de março de 2027, para apresentar um plano que retire suas ações da condição de penny A notícia de que a B3 concedeu à Raízen um novo prazo para retirar suas ações da condição de penny stock chamou a atenção do mercado.

Na minha visão, o fato realmente importante não é a cotação. É o balanço.

Os números do ano-safra 2025/26 ajudam a explicar por que o mercado passou a atribuir um valor tão baixo à companhia.

A Raízen encerrou o exercício registrando prejuízo líquido de aproximadamente R$ 27 bilhões, resultado fortemente impactado por baixas contábeis (impairments), custos financeiros elevados e pelo processo de reestruturação. Apenas no quarto trimestre do ano-safra, o prejuízo foi de R$ 7,3 bilhões.

Mais preocupante que o prejuízo foi a deterioração da estrutura de capital. A dívida líquida alcançou cerca de R$ 58,2 bilhões, um crescimento próximo de 70% em relação ao encerramento da safra anterior. A alavancagem aumentou justamente em um momento de juros elevados e menor geração operacional de caixa. A companhia respondeu como era esperado de uma grande organização.

Vendeu ativos.
Reduziu investimentos.
Reviu projetos.
Renegociou dívidas.
Homologou um plano de reestruturação extrajudicial.
São medidas necessárias. Mas nenhuma delas resolve, por si só, a questão central. Quem paga dívida não é venda de ativos. É geração recorrente de caixa.

É exatamente aí que, na minha opinião, está o grande teste da nova gestão. Durante muitos anos, a Raízen foi admirada por sua estratégia. Construiu uma plataforma praticamente única no mundo.

Produção de açúcar.
Etanol.
Etanol de segunda geração.
Biogás.
Cogeração.
Distribuição de combustíveis.
Aviação.
Lubrificantes.
Conveniência.
Mobilidade elétrica.

Tudo isso fazia sentido quando o capital era abundante e o mercado premiava crescimento e o cenário mudou. O mercado voltou a perguntar algo muito simples:

Quanto caixa esse conjunto de ativos consegue produzir?
Essa mudança de paradigma não vale apenas para a Raízen. Vale para todas as empresas intensivas em capital.

Durante anos discutimos crescimento, agora voltamos a discutir retorno sobre o capital investido. Durante anos o mercado premiou expansão.Hoje ele premia disciplina financeira.
Existe neste processo uma lição ainda maior.

A força de uma distribuidora não está apenas na marca, na rede de postos ou na logística. Ela está na capacidade de transformar ativos gigantescos em caixa consistente.

É isso que financia investimentos.
É isso que reduz dívida.
É isso que devolve confiança aos investidores.
O mercado costuma ser paciente com empresas que têm um plano.
Mas é implacável com empresas que apenas ganham tempo.

Como dizia um antigo presidente da Texaco:
“O mercado pode esperar uma recuperação. O que ele nunca aceita é perder a confiança na capacidade de executá-la.”

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade de seus respectivos autores e não correspondem, obrigatoriamente, ao ponto de vista da RPAnews. A plataforma valoriza a pluralidade de ideias e o diálogo construtivo.
Compartilhar
Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Petróleo fecha com alta de 1%, enquanto ataques entre EUA e Irã ameaçam abastecimento

Os preços do petróleo Brent fecharam com alta de 1% em um...

Últimas Notícias

BECCS pode abrir nova fonte de receita para usinas de etanol

Captura e armazenamento permanente do CO₂ da fermentação pode gerar créditos de...

Últimas Notícias

Be8 conclui 80% de nova planta de etanol no RS

Biorrefinaria de Passo Fundo terá capacidade para produzir 210 milhões de litros...

Últimas NotíciasDestaque

Produtores de cana de PE ameaçam suspender fornecimento com preço abaixo do custo

Canavieiros apontam remuneração de R$ 139,27 por tonelada diante de custo total...