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Açúcar brasileiro impulsiona oferta global e pressiona os preços em 2026

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Especialistas reunidos na Dubai Sugar Conference avaliam que a maior produção de açúcar no Brasil na safra 2026/27 deve manter o excesso de oferta no mercado global

O mercado global de açúcar segue pressionado por um excesso de oferta e uma grande safra prevista para o Brasil, maior produtor mundial, indica que o problema deve persistir.

Os contratos futuros de açúcar em Nova York já são negociados a cerca de metade do pico registrado em 2023. Para a safra atual, o consumo deve ficar abaixo da produção em cerca de 1,63 milhão de toneladas, impulsionado pela oferta de produtores asiáticos como Índia, Tailândia e Paquistão.

Atualmente, a Copersucar vê a safra de cana-de-açúcar do Brasil avançar para 620 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ante 608 milhões de toneladas na temporada atual.

Observadores do mercado e analistas que participaram da Dubai Sugar Conference, realizada na semana passada, afirmaram esperar mais um superávit – ainda que menor – na safra 2026/27, o que deve manter a pressão sobre os preços.

Uma melhora na colheita de cana no Brasil, maior produtor e exportador global, é central para essas projeções. “Isso está prolongando o excedente e, potencialmente, estendendo o período de preços baixos”, disse o diretor de pesquisa em açúcar da consultoria GlobalData, John Adams.

O excesso de açúcar pode não ficar evidente logo no início da safra, já que os preços elevados do etanol tendem a incentivar maior produção de biocombustível no Brasil. Ao longo do ciclo, porém, com a ampla oferta de etanol levando à convergência de preços com o açúcar, mais cana deve voltar a ser direcionada para a produção de açúcar.

“O mercado parece bastante baixista”, disse o chefe de análise da trading de açúcar Czarnikow, Stephen Geldart. Ele projeta um excedente de cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, abaixo das estimadas 8 milhões de toneladas na temporada atual.

A Índia deve manter estoques suficientes para atender à demanda doméstica até o início da moagem de uma safra maior, em outubro. Ao mesmo tempo, exportações contínuas da Europa – sustentadas por estoques remanescentes, mesmo com a queda da produção na próxima temporada – devem contribuir para o excesso de oferta.

A mensagem da conferência de Dubai foi “incomumente fácil de resumir: baixista por padrão”, escreveu o CEO da corretora parisiense Deepcore, Arnaud Lorioz, em nota divulgada na sexta-feira, 6.

O principal risco de queda para a produção seria o surgimento de um possível fenômeno de El Niño, que poderia prejudicar as safras de cana na Ásia na temporada 2026/27. “Acho que, por enquanto, a expectativa é de superávit, mas há muitas incertezas relacionadas ao El Niño”, disse o diretor-presidente da Al Khaleej Sugar, Adrie van der Ven. “Isso poderia ter um impacto significativo sobre a safra”.

Bloomberg| Pratik Parija
Com a colaboração de Mumbi Gitau

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