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XP coloca Raízen sob revisão e aponta baixa visibilidade sobre reestruturação de R$ 65 bilhões

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Análise destaca ausência de detalhes do plano da Raízen, suspensão de estimativas e simulação indica potencial redução relevante da alavancagem

A XP Investimentos colocou as ações da Raízen sob revisão (“under review”) após o pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas financeiras quirografárias. Segundo análise da instituição, a decisão reflete a falta de visibilidade sobre a estrutura do plano de reestruturação e as incertezas associadas ao processo.

De acordo com a XP, o montante total envolvido na recuperação extrajudicial é de R$ 65,1 bilhões, incluindo R$ 13,8 bilhões em CRAs e debêntures, além de bonds e empréstimos bancários. A companhia obteve apoio inicial de 47% dos credores, percentual superior ao mínimo legal de um terço, o que permitiu o pedido de standstill.

Durante esse período, ficam suspensos os pagamentos de juros e principal das dívidas quirografárias incluídas no processo. Para a homologação do plano, será necessário atingir o apoio de mais de 50% dos credores.

Plano ainda não teve condições divulgadas

Segundo análise da XP, não há, até o momento, publicidade das condições comerciais da reestruturação, tanto para credores que já aderiram quanto para os demais. A expectativa é que essas informações sejam divulgadas ao longo das negociações.

A instituição aponta que a companhia já havia indicado, em fato relevante anterior, a avaliação de alternativas como capitalização, conversão de dívida em participação acionária e alongamento do passivo. No entanto, o formato final da reestruturação ainda será definido dentro do prazo do standstill.

A XP também elaborou uma simulação preliminar com base em informações divulgadas pela imprensa, considerando a possibilidade de conversão de aproximadamente 40% da dívida em participação acionária, combinada a um aporte de capital de R$ 4 bilhões.

Nesse cenário, a dívida bruta poderia ser reduzida de R$ 72,6 bilhões para R$ 43,6 bilhões, enquanto a dívida líquida cairia de R$ 55,3 bilhões para R$ 22,3 bilhões.

Com dados atualizados até dia 15/03/2026

Como resultado, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, poderia recuar de 5,3 vezes para 2,1 vezes. A XP ressalta, no entanto, que se trata apenas de uma simulação e que o formato final da reestruturação ainda não foi confirmado pela companhia, podendo sofrer alterações ao longo das negociações.

Histórico recente pressionou estrutura financeira

Na avaliação da XP, a Raízen já apresentava histórico de endividamento relevante, embora com alavancagem considerada controlada anteriormente. A deterioração recente está associada a uma combinação de fatores.

Entre eles, o aumento das despesas financeiras, em função da alta de juros e do volume de dívida, que pressionou os resultados e o caixa. Também são citadas condições climáticas adversas, como seca, queimadas e excesso de chuvas, que impactaram moagem, produtividade e qualidade da cana, resultando em queda de cerca de 30% no EBITDA entre as safras 2023/24 e 2024/25.

A análise da XP também menciona investimentos em segmentos como etanol de segunda geração (E2G) e parcerias no varejo, além de perdas em estoques na área de distribuição e fluxo de caixa livre negativo em diversos trimestres, chegando a aproximadamente R$ 2 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26.

Mesmo com posição de caixa considerada confortável em relação ao endividamento, a instituição destaca que a companhia possui compromissos relevantes com capex, capital de giro e serviço da dívida nos próximos períodos.

Diante da falta de visibilidade sobre a estrutura final da reestruturação e das incertezas associadas ao processo, a XP informou que suas estimativas anteriores, recomendação e preço-alvo para a companhia deixam de ser válidos.

A instituição afirma que atualizará suas projeções à medida que novas informações oficiais forem divulgadas pela empresa.

Natália Cherubin para RPAnews

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