Os preços internacionais do açúcar encerraram a terça-feira (21) em alta, impulsionados principalmente pela valorização do petróleo, que reforça a atratividade da produção de etanol e pode reduzir a oferta global de açúcar. Apesar do avanço, a melhora das chuvas de monção na Índia continua limitando um movimento mais consistente de valorização da commodity.
No mercado futuro, o contrato outubro do açúcar bruto negociado em Nova York encerrou o pregão cotado a 14,80 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,40%. Já o contrato outubro do açúcar branco negociado em Londres fechou a US$ 466,60 por tonelada, avanço de 0,45%.
O principal fator de sustentação dos preços foi o avanço superior a 2% do petróleo WTI, que atingiu o maior nível em cinco semanas. Com o petróleo mais valorizado, os preços do etanol tendem a subir, aumentando o incentivo para que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível em vez de açúcar, reduzindo a oferta da commodity.
Por outro lado, o mercado segue monitorando a evolução das chuvas de monção na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado de precipitações caiu para 23% abaixo da média até 20 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho. Esse cenário ameniza parte das preocupações com a safra indiana e contribui para limitar ganhos mais expressivos dos preços.
Outro ponto de atenção é o posicionamento dos fundos de investimento. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos elevaram suas posições compradas líquidas no açúcar branco negociado em Londres para um recorde de 58.847 contratos na semana encerrada em 14 de julho. Segundo analistas, esse elevado volume de posições compradas pode ampliar movimentos de queda caso o mercado passe por realização de lucros.
Apesar da recuperação das chuvas, o mercado continua atento aos riscos climáticos. O Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém a avaliação de que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca em 11 anos. Além disso, o desenvolvimento do fenômeno El Niño segue sendo apontado como um fator de risco para a produção de açúcar no Brasil, Índia e Tailândia, os três maiores produtores mundiais da commodity.
No Brasil, a produção também continua oferecendo suporte aos preços. Dados da Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27, até maio, soma 6,838 milhões de toneladas, redução de 2% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. No mesmo intervalo, a participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, enquanto a destinada ao etanol aumentou para 58,38%, refletindo o maior interesse das usinas pelo biocombustível.
As perspectivas globais permanecem divididas. Enquanto estimativas recentes indicam risco de déficit na temporada 2026/27 em função do clima adverso, especialmente sob influência do El Niño, projeções para a safra 2025/26 ainda apontam produção elevada e recuperação da oferta mundial de açúcar.
Com informações da Barchart


