Melhora do clima no Centro-Sul do Brasil e decisão da Índia ampliam pressão sobre as cotações; perspectivas de déficit global limitam perdas
Os preços internacionais do açúcar encerraram a quinta-feira (22) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pela liquidação de posições compradas por fundos de investimento e pelas perspectivas de maior oferta. Segundo informações da Barchart, o açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 1,56%, ou 0,32 centavo, fechando a 20,13 centavos de dólar por libra-peso, menor patamar em duas semanas. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu 1,80%, equivalente a US$ 9,80, encerrando o pregão a US$ 533,90 por tonelada.
Em Nova York, as cotações continuam pressionadas pela realização de lucros após atingirem, na semana passada, a máxima do contrato. O elevado volume de posições compradas dos fundos de commodities também contribui para o movimento de queda. O relatório semanal de Compromissos dos Traders (COT), divulgado na última sexta-feira, mostrou que esses investidores ampliaram suas posições líquidas compradas em 16.184 contratos na semana encerrada em 13 de outubro, alcançando 228.743 contratos, o maior volume em mais de cinco anos.
Outro fator de pressão é a decisão do governo da Índia de determinar que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, a aquisição de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida tende a ampliar a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar, elevando as expectativas de oferta no mercado internacional.
Por outro lado, uma nova decisão do governo indiano ofereceu algum suporte às cotações. Na quinta-feira, o país prorrogou de 31 de outubro para 31 de dezembro o prazo para importações de açúcar com isenção de tarifas, medida que poderá estimular a demanda indiana pelo produto no mercado mundial.
No Brasil, a melhora das condições climáticas no Centro-Sul também contribuiu para a pressão sobre os preços. Depois de um período de chuvas que dificultou a colheita e interrompeu a moagem em usinas da região, o tempo mais favorável tem permitido a retomada das operações, ampliando as perspectivas de disponibilidade de açúcar.
As interrupções provocadas pelas chuvas haviam contribuído para a valorização das cotações ao longo do último mês. Na semana passada, o açúcar bruto negociado em Nova York atingiu o maior nível dos contratos mais próximos do vencimento em 19 meses. Já o açúcar branco em Londres alcançou, em 7 de outubro, a máxima de 22 meses.
Déficit global e riscos climáticos seguem no radar
Apesar da pressão recente, as perspectivas de déficit na oferta mundial continuam oferecendo sustentação ao mercado. Em 1º de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, revertendo o superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas para 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corp estimou que a produção poderá recuar 17% na temporada 2026/27, para 10 milhões de toneladas. A redução reforça as preocupações com a disponibilidade global do produto.
As condições climáticas também permanecem no radar. No início de outubro, a Agência Meteorológica do Japão informou que as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico tropical estavam 4°C acima da média em setembro, maior anomalia registrada desde o início da série histórica, em 1949. Segundo a agência, há 100% de probabilidade de o El Niño persistir durante o inverno do Hemisfério Norte e se estender pelo primeiro trimestre de 2027.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também indicou que o fenômeno poderá estar entre os mais intensos dos últimos 75 anos. A possibilidade de alterações nos regimes de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras, incluindo Brasil, Índia e Tailândia, mantém as preocupações com eventuais impactos sobre a produção mundial de açúcar.
Assim, embora a melhora das condições de colheita no Brasil e as expectativas de maior oferta na Índia pressionem as cotações no curto prazo, as projeções de déficit global e os riscos climáticos continuam como fatores de sustentação do mercado internacional.
Com informações da Barchart

