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Copersucar inicia fornecimento regular de etanol para navios no Porto de Santos

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Após operação pioneira em julho, abastecimento passa a integrar a rotina de navios da CMA CGM e abre novas perspectivas de mercado para o biocombustível brasileiro

O Porto de Santos (SP) iniciou uma nova etapa no abastecimento de navios com etanol, passando de uma operação experimental, realizada em julho, para o fornecimento regular do biocombustível. A primeira operação dessa fase ocorreu em 19 de outubro, com o abastecimento de um navio da CMA CGM utilizando etanol fornecido pela Copersucar. Segundo as empresas envolvidas, a iniciativa abre caminho para ampliar o uso do combustível brasileiro no transporte marítimo internacional, segmento que busca alternativas para reduzir suas emissões de carbono.

O abastecimento foi realizado no CMA CGM IRON, navio porta-contêineres com capacidade para 13 mil TEUs, equipado com o motor Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM, apresentado pelas empresas como o primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol. Até o final de 2026, estão previstos novos abastecimentos de embarcações da CMA CGM com combustível fornecido pela Copersucar.

A iniciativa reúne CMA CGM, Copersucar, Bunker One, AGEO Terminais, Santos Brasil e Autoridade Portuária de Santos (APS), em uma operação que envolve diferentes etapas da cadeia de produção, armazenamento, transporte e abastecimento.

Para a Copersucar, a entrada do etanol no abastecimento marítimo regular representa a possibilidade de desenvolver um novo mercado consumidor para o biocombustível. Atualmente, a demanda global por combustíveis marítimos supera 270 bilhões de litros por ano. Segundo as empresas, considerando a equivalência energética entre os combustíveis, a substituição de apenas 10% desse consumo poderia representar um mercado potencial adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros de etanol anualmente.

Tomás Manzano, presidente da Copersucar, destaca que a iniciativa conecta a capacidade produtiva e logística brasileira à demanda internacional por combustíveis de menor intensidade de carbono.

“Este é um marco para o etanol e para a navegação: inaugura o primeiro corredor verde de abastecimento marítimo com etanol do mundo e abre um novo mercado de destino global para o combustível. Com essa iniciativa, a Copersucar viabiliza o uso do etanol em uma operação comercial regular, conectando a capacidade produtiva e logística do Brasil à demanda internacional por descarbonização”, afirma Manzano.

A utilização do combustível também se apoia na cadeia produtiva brasileira, que, segundo a Copersucar, dispõe de estrutura consolidada e certificada. A empresa destaca que a expansão da cultura da cana-de-açúcar ocorre predominantemente em áreas de pastagens degradadas e que o programa RenovaBio estabelece critérios de sustentabilidade aplicáveis à produção de biocombustíveis.

Logística integrada e perspectivas de expansão

O etanol utilizado nas operações é produzido pelas usinas associadas à Copersucar e transportado até o Porto de Santos pela Evolua Etanol, empresa do Ecossistema Copersucar. No porto, o combustível é armazenado pela AGEO Terminais, antes de ser disponibilizado para abastecimento das embarcações.

A operação é realizada no terminal da Santos Brasil, com participação da Bunker One, responsável pelo desenvolvimento de um protocolo específico de abastecimento. Segundo as empresas, o procedimento foi elaborado após meses de estudos e treinamento das equipes, considerando as características do etanol, incluindo seu baixo ponto de fulgor.

Giovani Grassi, CEO da CMA CGM do Brasil, afirma que a passagem para o fornecimento regular demonstra a possibilidade de incorporar o biocombustível às operações marítimas em escala comercial.

“Após a primeira operação realizada em julho, estamos agora avançando para uma nova fase, demonstrando que o etanol pode ser incorporado às operações marítimas de forma segura, confiável e em escala comercial”, afirma Grassi.

Para Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One LatAm, a experiência brasileira na produção e utilização de etanol pode contribuir para a expansão do combustível no transporte marítimo internacional. Segundo ele, a iniciativa também fortalece o posicionamento do Porto de Santos como alternativa de abastecimento para armadores interessados na redução de emissões.

A perspectiva de crescimento desse mercado está associada à evolução tecnológica da frota mundial. Segundo dados da Det Norske Veritas (DNV), citados pelas empresas, 159 embarcações já operam com motores preparados para metanol, que podem utilizar etanol, enquanto mais de 450 novos navios com essa tecnologia estão previstos para entrega até 2030.

Para a Copersucar, a combinação entre a capacidade de produção das usinas brasileiras, a estrutura logística existente e o desenvolvimento de embarcações compatíveis com o biocombustível poderá ampliar as oportunidades de comercialização do etanol no mercado internacional, criando uma nova alternativa de demanda para o setor sucroenergético.

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