Medidas para ampliar a disponibilidade de açúcar no mercado indiano provocaram liquidação de posições; projeções de déficit global seguem dando suporte às cotações
Os preços do açúcar fecharam a quinta-feira, 3, em forte queda nas bolsas internacionais, pressionados pela expectativa de que a Índia possa importar menos açúcar do que o inicialmente previsto. Na ICE Futures US, em Nova York, o açúcar bruto recuou 3,37%, para 18,41 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco caiu 2,34%, cotado a US$ 530,80 por tonelada, segundo o Barchart.
O movimento ocorreu após o governo indiano reduzir de 400 para 200 toneladas o limite de estoques que podem ser mantidos por comerciantes de açúcar. A medida entra em vigor em 15 de setembro e segue até 20 de novembro, com o objetivo de conter a retenção do produto e ampliar sua disponibilidade no mercado doméstico.
Segundo o Barchart, a iniciativa pode colocar mais açúcar atualmente estocado no mercado indiano e, consequentemente, reduzir a necessidade de importações pelo país.
O elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos no açúcar branco negociado em Londres também contribui para aumentar o risco de movimentos de liquidação. Dados do Commitment of Traders (COT) mostraram que os fundos ampliaram em 2.830 contratos suas posições líquidas compradas na semana encerrada em 25 de agosto, alcançando o recorde de 70.766 contratos, maior volume desde o início da série, em 2011.
Apesar da queda de quinta-feira, as cotações vinham registrando forte valorização. Na quarta-feira, o açúcar bruto em Nova York alcançou o maior nível em 16,75 meses, enquanto o açúcar branco em Londres atingiu a máxima de uma semana.
Déficit global segue no radar
As perspectivas para o balanço mundial continuam oferecendo suporte aos preços. Nesta semana, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
A Green Pool Commodity Specialists trabalha com um déficit mais elevado, de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, e reduziu sua projeção para o superávit de 2025/26 de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.
Na União Europeia, o Observatório do Mercado de Açúcar estima que a produção do bloco recue 19% na comparação anual, para 13,4 milhões de toneladas em 2026/27.
Outras consultorias também projetam oferta inferior à demanda no próximo ciclo. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas, após anteriormente prever superávit de 100 mil toneladas. Já a StoneX elevou sua projeção de déficit de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas.
As condições climáticas indianas também permanecem no radar. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, as chuvas acumuladas das monções estavam 13% abaixo da média até 2 de setembro, apesar da melhora frente ao fim de junho, quando o déficit chegava a 42%.
O Ministério de Ciências da Terra do país alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Com informações da Barchart





