Preocupações com a oferta global, queda da produção no Centro-Sul e revisões para déficit mundial sustentaram forte recuperação das cotações
Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira em forte alta nas bolsas internacionais, ampliando a recuperação registrada ao longo da semana diante das preocupações com a oferta global. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto fechou a 16,45 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 5,65%, ou 0,88 centavo. Em Londres, o açúcar branco para outubro terminou cotado a US$ 503,40 por tonelada, alta de US$ 16,50, ou 3,39%, segundo o Barchart.
Com o movimento, os contratos futuros mais próximos negociados em Nova York alcançaram o maior nível em dez meses, enquanto Londres atingiu uma máxima de 11 meses. A valorização representa uma forte mudança de direção do mercado, que havia registrado uma mínima de cinco meses na quinta-feira da semana anterior.
O avanço das cotações ocorre em meio ao aumento das preocupações com a produção mundial de açúcar. Um dos fatores que ganhou peso no mercado foi a perspectiva para a Europa. Devido à seca e às temperaturas elevadas, a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido deve recuar para 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, de acordo com dados da S&P Global Energy citados pelo Barchart.
O Brasil também aparece entre os fatores acompanhados pelo mercado. Dados da Unica mostraram que a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3% em junho na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas. O desempenho contribuiu para reforçar as preocupações sobre a disponibilidade do produto e deu suporte à recuperação das cotações.
As perspectivas de um balanço global mais apertado também ganharam força após sucessivas revisões das projeções para a safra 2026/27. A Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas, depois de estimar anteriormente um superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar para 3,3 milhões de toneladas em 2026/27, ante previsão anterior de 1,76 milhão de toneladas. A StoneX também ampliou sua projeção de déficit, de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas.
Além do Brasil e da Europa, as condições de produção na Índia permanecem no radar dos operadores. O comportamento climático no país é considerado importante para a disponibilidade mundial de açúcar, especialmente diante das incertezas relacionadas às condições meteorológicas e seus possíveis impactos sobre a produção.
O conjunto desses fatores mudou o tom do mercado depois da pressão observada sobre as cotações nos últimos meses. A combinação entre sinais de menor produção em importantes regiões produtoras e revisões que apontam para um déficit global maior em 2026/27 passou a dar sustentação aos preços, levando o açúcar em Nova York da mínima de cinco meses registrada na semana anterior para o maior patamar dos contratos mais próximos em dez meses.

