Desvalorização do petróleo aumenta preocupações com possível direcionamento da cana para a produção de açúcar, enquanto chuvas no Brasil e projeções de déficit global oferecem suporte às cotações
Os preços futuros do açúcar encerraram a segunda-feira (2) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pela forte desvalorização do petróleo no mercado internacional. O petróleo WTI recuou mais de 7%, atingindo o menor nível em uma semana e meia, movimento que pode enfraquecer os preços do etanol e estimular as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar. Segundo a Barchart, esse cenário aumentou as preocupações com a oferta global da commodity e contribuiu para levar o açúcar branco negociado em Londres ao menor nível em cinco semanas.
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 1,55%, ou 0,30 centavo de dólar por libra-peso, encerrando a sessão a 19,06 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 caiu 1,34%, equivalente a US$ 6,90, fechando a US$ 526,10 por tonelada.
A queda do petróleo exerce pressão sobre o mercado açucareiro devido à relação entre os preços dos combustíveis e as decisões de produção das usinas. Com a possibilidade de enfraquecimento das cotações do etanol, aumenta o incentivo econômico para ampliar a fabricação de açúcar em detrimento do biocombustível, o que poderia elevar a disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Outro fator de pressão é a desvalorização do real brasileiro frente ao dólar, que aumenta a competitividade das exportações brasileiras de açúcar. Segundo a Barchart, a moeda brasileira atingiu, na semana anterior, o menor patamar em dez meses e uma semana em relação à divisa norte-americana.
O enfraquecimento cambial tende a estimular as vendas externas dos produtores brasileiros, uma vez que amplia a receita em reais obtida com as exportações denominadas em dólar. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citados pela Barchart, o Brasil responde por aproximadamente 23% da produção mundial de açúcar e mais de 50% das exportações globais.
Chuvas no Brasil e déficit global oferecem suporte aos preços
Apesar da pressão exercida pelo petróleo e pelo câmbio, as dificuldades operacionais provocadas pelas chuvas no Brasil continuam sendo um fator de sustentação das cotações.
As precipitações persistentes associadas ao fenômeno El Niño têm prejudicado a colheita e reduzido o ritmo de moagem de cana-de-açúcar. Segundo a StoneX, as previsões de chuva para as regiões canavieiras brasileiras indicavam a continuidade das dificuldades nas operações de processamento.
Na primeira quinzena de outubro, as usinas brasileiras processaram 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda de 18% em relação aos 39 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano anterior. A produção de açúcar recuou 23%, totalizando 2,15 milhões de toneladas.
O mercado também acompanha as perspectivas de menor disponibilidade global do produto. A Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas.
Para 2025/26, a consultoria reduziu sua projeção de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, considerando a menor produção brasileira e o aumento das importações pela Índia.
Além disso, a Datagro projeta queda de 5% na produção de açúcar do Centro-Sul brasileiro na safra 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas, em razão de fatores associados ao El Niño.
Índia registra redução na produção de açúcar
Na Índia, a safra açucareira 2026/27 começou dentro do cronograma, com aproximadamente 107 usinas iniciando as operações de moagem, segundo a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA).
Até 25 de outubro, a produção indiana de açúcar alcançou 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período da temporada anterior.
Apesar da redução, a ISMA informou que os estoques de passagem de 3,6 milhões de toneladas da safra 2025/26 garantem uma posição confortável de abastecimento no país.
As condições climáticas também permanecem como ponto de atenção. Durante o período de monções, entre junho e setembro, as chuvas ficaram 12,6% abaixo da média histórica, no menor volume registrado em 11 anos.
O governo indiano também prorrogou até 31 de dezembro a autorização para importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de tarifas, medida inicialmente válida até 31 de outubro.
Além da Índia, as perspectivas de desenvolvimento de um Super El Niño no Oceano Pacífico representam um risco para a produção mundial, diante da possibilidade de alterações no regime de chuvas do Brasil, da Índia e da Tailândia.
Com informações a Barchart



