As eleições nos Estados Unidos e no Brasil podem dar novo impulso ao mercado global de etanol, com possíveis mudanças nas políticas de mistura do biocombustível à gasolina nos dois países, segundo análise da consultoria e trading britânica Czarnikow.
No Brasil, a ampliação da mistura obrigatória para 32% (E32) e os testes de viabilidade para elevar o porcentual a 35% (E35) reforçam a perspectiva de aumento do consumo. Nos EUA, as eleições legislativas de 3 de novembro podem influenciar a aprovação da comercialização de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano.
Em relatório publicado nesta sexta-feira, 30, a consultoria avalia que os resultados eleitorais podem representar impulso significativo para o setor.
No Brasil, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República tende a manter o apoio governamental ao etanol como componente estratégico da política energética nacional. Nos Estados Unidos, a disputa pelo controle do Congresso e as eleições estaduais podem determinar os rumos da regulamentação do E15.
No Brasil, lembra a consultoria, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou temporariamente, a partir de agosto, o porcentual obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. Segundo a Czarnikow, a medida tem como um de seus objetivos reduzir a necessidade de importação de gasolina em cerca de 900 milhões de litros por ano.
Além disso, o governo autorizou o início de testes de viabilidade para a adoção de uma mistura de 35% de etanol na gasolina, no âmbito da Lei do Combustível do Futuro. A consultoria também destaca iniciativas do governo federal para reduzir ou eliminar tributos sobre a gasolina e o etanol, com o objetivo de proteger os consumidores dos preços dos combustíveis.
Outro projeto mencionado no relatório é o desenvolvimento de uma turbina movida integralmente a etanol para drones e aeronaves de pequeno porte, em iniciativa da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A proposta amplia as possibilidades de utilização do biocombustível para além do transporte rodoviário.
EUA
Nos Estados Unidos, a principal questão para o mercado de etanol é a autorização permanente para a venda de gasolina E15 durante todo o ano. Atualmente, a expansão da comercialização do combustível depende de mudanças regulatórias, e a disputa eleitoral pode alterar as condições políticas para a aprovação da medida.
A Câmara dos Representantes aprovou, em 13 de maio, uma proposta para permitir a comercialização nacional de E15 por meio de uma alteração na Lei do Ar Limpo (Clean Air Act). A votação reuniu parlamentares dos dois partidos, especialmente representantes de Estados produtores de milho e etanol, como Iowa, Illinois, Nebraska e Minnesota.
A iniciativa, contudo, enfrenta resistência de parte dos republicanos, de integrantes do Freedom Caucus e de refinarias de petróleo, que apontam possíveis custos de adequação às exigências regulatórias.
Segundo a Czarnikow, caso os democratas conquistem a maioria na Câmara, o partido deverá buscar maior supervisão das decisões de órgãos federais relacionadas à produção e à distribuição de energia.
Já se os republicanos mantiverem o controle do Congresso, senadores da legenda poderão continuar pressionando pela inclusão de medidas favoráveis ao E15 nas negociações do projeto de lei agrícola de 2026, a Farm Bill.
A disputa também se estende às eleições estaduais. O presidente Donald Trump vinculou seu apoio à aprovação permanente do E15 à reeleição do senador republicano Roger Marshall, do Kansas.
“Com Roger Marshall no Senado, tornaremos permanente o E15 durante todo o ano. Mas, se Adam Hamilton estiver no cargo, não farei isso”, afirmou Trump em um comício, segundo o relatório.
Em Illinois, o deputado Eric Sorensen também defendeu a ampliação do uso do biocombustível, argumentando que a medida poderia beneficiar tanto os consumidores quanto os produtores rurais.
“O aumento do nível de etanol poderia reduzir seu custo em cerca de 30 centavos por galão e, enquanto economizamos dinheiro, também ajudamos nossos produtores de milho. É bom para todos no estado”, disse.
Agência Estado| Leandro Silveira



