Companhia registra ganhos de produtividade agrícola e aumento de 24% na produção de etanol até setembro, mas preços menos favoráveis pressionam receita e margens
A Usina Coruripe registrou EBITDA ajustado de R$ 507,2 milhões no acumulado da safra 2026/27 até setembro, queda de 27% em relação aos R$ 694,6 milhões apurados no mesmo período do ciclo anterior. O resultado ocorreu apesar do crescimento de 9,4% na moagem de cana-de-açúcar, que alcançou 10,58 milhões de toneladas, e dos ganhos de produtividade agrícola e produção industrial. Segundo o Relatório Operacional-Financeiro divulgado pela companhia em 19 de outubro, o ambiente de preços menos favorável para o açúcar e o etanol limitou a conversão dos avanços operacionais em receita e margens.
No campo, a produtividade média da cana-de-açúcar (TCH) passou de 75,02 para 90,10 toneladas por hectare, avanço de 20,1% na comparação anual. O volume de Açúcar Total Recuperável (ATR) por hectare também cresceu 19,1%, passando de 10.138 para 12.070 quilos. Já o ATR médio por tonelada de cana apresentou recuo de 0,9%, de 135,15 para 133,95 kg/t.
Do total de cana processada até setembro, 4,08 milhões de toneladas foram provenientes de áreas próprias, crescimento de 13%, enquanto o volume adquirido de fornecedores alcançou 6,50 milhões de toneladas, alta de 7,3%.
Na avaliação apresentada pela Coruripe no relatório, a evolução dos indicadores agrícolas reflete os investimentos realizados e os ganhos de eficiência nos processos operacionais.
Produção de etanol cresce 24% e açúcar avança 1,5%
No segmento industrial, a produção total de etanol alcançou 299,6 mil metros cúbicos, aumento de 24% em relação aos 241,7 mil metros cúbicos registrados no mesmo período da safra passada.
O etanol hidratado apresentou o maior crescimento percentual, de 26,1%, totalizando 151,1 mil metros cúbicos. Já a produção de anidro avançou 21,9%, para 148,4 mil metros cúbicos.
A produção total de açúcar atingiu 17,04 milhões de sacas de 50 quilos, crescimento de 1,5% na comparação anual. O destaque foi o açúcar cristal, cujo volume avançou 20,1%, alcançando 1,74 milhão de sacas. Por outro lado, a produção de açúcar VHP apresentou leve retração de 0,4%, totalizando 762,8 mil toneladas.
Considerando o açúcar equivalente, a produção alcançou 27,61 milhões de sacas, alta de 8,5% em relação ao mesmo período da temporada anterior.
A geração de energia elétrica, por sua vez, totalizou 447,7 mil MWh, recuo de 0,9%, enquanto a eficiência industrial permaneceu praticamente estável, passando de 88,72% para 88,64%.
Queda nos preços pressiona receita e margens
Apesar do crescimento dos volumes produzidos e comercializados, os menores preços médios reduziram o faturamento da companhia.
A receita bruta comercial, desconsiderando a revenda de energia, passou de R$ 2,15 bilhões para R$ 1,85 bilhão no acumulado até setembro, retração de 13,8%.
O preço médio bruto do açúcar VHP caiu 22,3%, de R$ 2.441,83 para R$ 1.896,32 por tonelada. No açúcar cristal, a redução foi de 22,9%, com o valor médio passando de R$ 136,24 para R$ 104,97 por saca.
O etanol também apresentou desvalorização. O preço médio do anidro recuou 11,5%, para R$ 2.820,85 por metro cúbico, enquanto o hidratado registrou queda de 7,8%, para R$ 2.936,65 por metro cúbico.
Mesmo com preços menores, o aumento dos volumes comercializados contribuiu para que a receita bruta com etanol crescesse 4,3%, alcançando R$ 572 milhões. Já a receita com açúcar caiu 21%, para R$ 1,14 bilhão.
O relatório também mostra deterioração das margens. A participação do custo dos produtos vendidos sobre a receita líquida passou de 70,4% para 79,9%, enquanto a margem do EBITDA ajustado recuou de 33,8% para 28,8%.
Companhia registra prejuízo líquido de R$ 2,08 bilhões
Além da redução do EBITDA, a Coruripe registrou prejuízo líquido de R$ 2,08 bilhões no acumulado da safra 2026/27 até setembro, revertendo o lucro de R$ 397,8 milhões apurado no mesmo período do ciclo anterior.
O resultado foi fortemente impactado pela linha de despesas financeiras líquidas, que apresentou saldo negativo de R$ 2,24 bilhões, ante R$ 32,5 milhões negativos no período comparável.
Entre os principais componentes está o efeito negativo de R$ 1,55 bilhão relacionado à atualização monetária dos créditos do processo IAA/4870. Conforme esclarece o relatório, esse valor inclui o deságio gerado na operação de venda dos créditos.
O lucro operacional da companhia também recuou, passando de R$ 258,7 milhões para R$ 83 milhões, queda de 67,9%.
Monetização de créditos contribui para redução da dívida
A Coruripe também destacou o fortalecimento de sua estrutura financeira com a monetização dos créditos relacionados ao processo IAA/4870. Segundo o relatório, a operação proporcionou um evento de liquidez de R$ 1,5 bilhão, contribuindo para a redução do endividamento.
A dívida líquida alcançou R$ 2,84 bilhões em setembro de 2026, ante R$ 3,70 bilhões no mesmo mês do ano anterior, redução de 23,3%. Na comparação com março de 2026, quando estava em aproximadamente R$ 3,64 bilhões, a queda foi de R$ 801,5 milhões, equivalente a 22%.
Já a dívida bruta totalizou R$ 3,54 bilhões, recuo de 22,3% em relação aos R$ 4,56 bilhões registrados em setembro de 2025.
De acordo com a companhia, a monetização dos créditos contribuiu para acelerar o processo de desalavancagem, ampliar a liquidez e fortalecer os indicadores financeiros, criando condições mais favoráveis para o acesso a novas fontes de financiamento.
Natália Cherubin para RPAnews



