Perspectiva de entrega de cerca de 1,8 milhão de toneladas contra o contrato outubro em Nova York reforçou preocupações com a demanda; cenário global de déficit segue no radar
Os preços internacionais do açúcar encerraram a quarta-feira em queda, pressionados por preocupações com a demanda. Na Bolsa de Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto recuou 1,07%, para 17,63 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o dezembro do açúcar branco caiu 0,63%, cotado a US$ 506,30 por tonelada.
Segundo a McDougall Global Views, o volume de contratos em aberto no vencimento outubro em Nova York, que expirou na quarta-feira, indicava que as entregas físicas poderiam chegar a cerca de 1,8 milhão de toneladas. O volume está acima da média dos últimos seis anos e foi interpretado como um sinal de demanda física enfraquecida.
Apesar da pressão recente, as perspectivas para a oferta global continuam dando suporte ao mercado. Em 10 de setembro, o açúcar negociado em Nova York atingiu a máxima em 17,5 meses, sustentado pelas expectativas de déficit global.
No início de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit mundial de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corp estimou que a produção da commodity em 2026/27 poderá cair 17% em relação ao ciclo anterior, para 10 milhões de toneladas.
A Covrig Analytics também passou a projetar déficit mundial. Em agosto, a consultoria estimou saldo negativo de 300 mil toneladas em 2026/27, ante previsão anterior, feita em junho, de superávit de 100 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, as usinas brasileiras deverão direcionar mais matéria-prima para a produção de etanol em detrimento do açúcar diante da recente alta dos preços do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
A Czarnikow estima ainda que a produção mundial de açúcar recue 0,7% em 2027/28, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de impactos climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia.
O clima na Índia também permanece no radar do mercado. O Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas acumuladas durante a temporada de monções, entre junho e setembro, ficaram 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, no desempenho mais fraco em 11 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar, o que mantém as condições climáticas do país entre os fatores de atenção para as perspectivas de oferta global.
