Expectativa de retomada da colheita e da moagem pressiona cotações em Nova York e Londres, após três semanas de forte valorização
Os preços internacionais do açúcar encerraram a sexta-feira, 16, em queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pelas previsões de tempo mais quente e seco no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país. Segundo informações da Barchart, a expectativa de melhora nas condições climáticas favoreceu a liquidação de posições compradas por investidores, diante da possibilidade de retomada da colheita e da moagem de cana-de-açúcar nas usinas brasileiras, ampliando a oferta do adoçante.
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março de 2027 fechou cotado a 20,85 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,28 centavo, ou 1,33%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 recuou US$ 6,20 por tonelada, equivalente a 1,10%, encerrando a sessão a US$ 554,90 por tonelada.
O movimento interrompeu parte dos ganhos acumulados nas últimas três semanas, período em que as chuvas frequentes no Centro-Sul brasileiro dificultaram as operações de colheita e provocaram interrupções na moagem, restringindo a disponibilidade de açúcar. Durante esse período, os preços do açúcar bruto chegaram ao maior nível em 19 meses nos contratos mais próximos, enquanto o açúcar branco atingiu a máxima em 22 meses.
A perspectiva de uma janela de tempo mais seco nos próximos dias alterou o comportamento dos investidores. Com a possibilidade de aceleração das operações agrícolas e industriais, aumentou a pressão para realização de lucros e encerramento de posições compradas nos contratos futuros.
Outro fator de atenção é o elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de investimento. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders, citado pela Barchart, os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em açúcar na bolsa de Nova York em 60.442 contratos na semana encerrada em 6 de outubro, alcançando 212.559 contratos, o maior nível em mais de três anos.
Esse posicionamento elevado pode intensificar eventuais movimentos de queda, caso os investidores decidam reduzir sua exposição ao mercado diante de perspectivas mais favoráveis à oferta.
Déficit global e riscos climáticos ainda sustentam o mercado
Apesar da pressão recente sobre as cotações, as expectativas de menor disponibilidade mundial de açúcar continuam oferecendo sustentação ao mercado.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo o superávit de 1,1 milhão de toneladas estimado para 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corp prevê redução de 17% na produção da temporada 2026/27, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.
As condições climáticas também permanecem no radar dos investidores. A Agência Meteorológica do Japão informou que as temperaturas da superfície do oceano Pacífico tropical estavam 4 °C acima do normal em setembro, maior anomalia registrada desde 1949, aumentando as preocupações com os possíveis efeitos de um episódio intenso de El Niño sobre a produção agrícola.
Segundo o levantamento citado pela Barchart, a agência japonesa considera que o fenômeno deverá persistir durante o inverno do Hemisfério Norte e se estender até o primeiro trimestre de 2027. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também alerta para a possibilidade de um dos episódios mais intensos das últimas décadas, com riscos de alterações importantes nos padrões de chuva e temperatura em regiões produtoras de açúcar.
Na Índia, outro importante produtor mundial, o Departamento Meteorológico informou que as chuvas acumuladas durante o período de monções, entre junho e setembro, ficaram 12,6% abaixo da média histórica, configurando o resultado mais fraco em 11 anos.
Dessa forma, embora a previsão de tempo seco no Centro-Sul brasileiro possa favorecer a retomada da moagem e ampliar a oferta no curto prazo, as perspectivas de déficit mundial e os riscos climáticos nas principais regiões produtoras continuam sendo fatores relevantes para o comportamento das cotações internacionais do açúcar.
Com informações da Barchart
