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Açúcar sob pressão global, enquanto etanol ganha espaço e deve atrair mais mix em 2026/27, aponta Itaú BBA

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Com oferta internacional farta derrubando preços do açúcar e demanda firme impulsionada pela nova mistura obrigatória, o etanol — especialmente o de milho — ganha protagonismo e pode reorganizar o equilíbrio do setor nas próximas safras.

O Itaú BBA atualizou suas projeções para o mercado de açúcar e etanol nas safras 2025/26 e 2026/27, descrevendo um cenário de ampla oferta internacional, preços pressionados e mudanças relevantes na estratégia das usinas do Centro-Sul. O relatório Visão Agro destacou que as condições climáticas favoráveis nas principais origens exportadoras e a expansão estrutural do etanol, em especial o de milho, devem reorganizar o balanço global dos dois mercados no próximo ciclo.

Segundo o banco, o setor sucroenergético mundial entra em 2026/27 com um volume de açúcar maior do que se estimava no início do ano. A combinação entre clima positivo, recuperação de áreas e rendimentos acima da média tem elevado a produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão. Na Europa e no Reino Unido, mesmo com a redução de área, os rendimentos ficaram acima da média, reforçando o quadro de oferta abundante. Esse ambiente, somado ao ritmo mais intenso de produção no Brasil, mantém os preços internacionais pressionados desde outubro.

Apesar disso, o Itaú BBA ressalta que grande parte do açúcar da safra 2025/26 já havia sido fixado a preços elevados, o que sustentou as margens das usinas e permitiu que o Centro-Sul registrasse produção recorde em setembro. A fixação antecipada, somada ao bom desempenho agrícola, reforça a perspectiva de que 2026/27 também registre volume significativo de açúcar, ainda que o ciclo de preços possa favorecer uma migração maior para o etanol caso as cotações sigam abaixo do patamar equivalente ao biocombustível. O banco, porém, não acredita que esse nível deprimido persista por muito tempo.

Se de um lado o açúcar enfrenta pressão, do outro o mercado de etanol vive um momento de maior tração. A elevação da mistura obrigatória de anidro na gasolina de 27% para 30%, válida a partir de agosto de 2025, deve aquecer ainda mais a demanda, que já vinha apresentando forte crescimento ao longo do ano. O Itaú BBA avalia que essa mudança regulatória aumentará as transferências entre estados e sustentará preços mais firmes na entressafra, especialmente entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026.

As usinas, que priorizaram o açúcar em 2025/26, tendem a rever o mix no início da safra 2026/27 diante da maior oferta de cana. “Nesse cenário, o etanol deve ganhar competitividade e receber uma fatia mais relevante da moagem, ampliando a oferta do biocombustível no início do ciclo”, afirma o banco. Além disso, a expansão do etanol de milho continua sendo um dos fatores estruturais mais importantes do mercado. Com margens favorecidas pela combinação de etanol valorizado e milho mais barato, novos projetos seguem avançando. A produção deve atingir 10,1 bilhões de litros em 2025/26 e chegar a 12,2 bilhões de litros em 2026/27.

A soma entre maior processamento de cana e expansão acelerada do etanol de milho deve resultar em um aumento significativo da oferta total do biocombustível no ciclo 2026/27, o que tende a exercer pressão adicional sobre os preços. Essa dinâmica contrasta com o quadro observado em 2025/26, quando a oferta mais limitada manteve o mercado em relativo equilíbrio.

No conjunto, o Itaú BBA descreve um setor que se prepara para um ciclo de ajustes importantes. De um lado, um mercado global de açúcar confortavelmente abastecido, pressionando as cotações e abrindo possibilidade para uma migração adicional no mix do Brasil. De outro, um mercado de etanol fortalecido pela demanda interna, pelo avanço regulatório e pela expansão rápida do etanol de milho, mas que também enfrentará desafios de preço à medida que a oferta cresce de forma simultânea.

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