Moeda brasileira próxima da máxima em 1,75 ano desestimula exportações; posição vendida recorde dos fundos pode intensificar movimento de alta
Os preços do açúcar encerraram a terça-feira sem direção única, com o contrato em Nova York atingindo a máxima em duas semanas e meia, sustentado pela valorização do real frente ao dólar. A moeda brasileira avançou 0,31% no dia, permanecendo próxima da máxima de 1,75 ano registrada na segunda-feira, movimento que tende a desestimular as exportações dos produtores brasileiros e, consequentemente, dar suporte às cotações internacionais.
O açúcar bruto com vencimento mais próximo fechou em alta de 0,1 centavo de dólar, ou 0,7%, indo a 14,55 centavos de dólar por libra-peso. O primeiro contrato expira em 27 de fevereiro. Em contrapartida, o contrato mais ativo de açúcar branco caiu 0,2%, para US$ 407,20 por tonelada.
O fortalecimento do real reduz a atratividade das vendas externas, uma vez que diminui a receita em moeda local obtida com exportações precificadas em dólar. Esse cenário contribuiu para o avanço das cotações em Nova York.
Outro fator de sustentação é o posicionamento excessivamente vendido dos fundos no mercado futuro. O relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT), divulgado na sexta-feira, mostrou que os fundos ampliaram suas posições líquidas vendidas em açúcar na semana encerrada em 17 de fevereiro em 14.381 contratos, alcançando um recorde de 265.324 posições líquidas vendidas — maior nível da série iniciada em 2006. Esse volume elevado pode alimentar um movimento de recompra técnica (short covering), intensificando eventuais altas.
Produção brasileira: queda pontual, mas alta no acumulado
Sinais de menor produção no Brasil também oferecem suporte aos preços. A Unica informou na semana passada que a produção de açúcar na região Centro-Sul, na segunda quinzena de janeiro, caiu 36% na comparação anual, somando apenas 5 mil toneladas.
Apesar disso, no acumulado da safra 2025/26 até janeiro, a produção no Centro-Sul registra alta de 0,9% sobre o mesmo período do ciclo anterior, totalizando 40,24 milhões de toneladas. Além disso, a proporção de cana destinada à produção de açúcar aumentou para 50,74% em 2025/26, ante 48,14% na safra 2024/25.
Mesmo com os fatores de curto prazo dando suporte às cotações, o mercado ainda carrega preocupações estruturais relacionadas ao aumento da oferta global.
Em 12 de fevereiro, os preços do açúcar atingiram o menor nível para o contrato mais próximo em 5,25 anos, diante do receio de que o excedente global persista. No dia anterior, analistas da trading Czarnikow projetaram um superávit global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
A consultoria Green Pool Commodity Specialists afirmou em 29 de janeiro que espera um superávit global de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX, em 13 de fevereiro, estimou um excedente global de 2,9 milhões de toneladas para 2025/26.
O cenário, portanto, combina vetores distintos: suporte de curto prazo vindo do câmbio e do posicionamento técnico dos fundos, enquanto as projeções de excedente global seguem limitando movimentos mais consistentes de alta no mercado internacional.
Com informações da Barchart