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Cocal vence leilão e usará biometano para gerar eletricidade

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Empresa venceu leilão de reserva de capacidade com dois projetos e será a primeira a gerar energia do biometano no país

No Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de energia, que a princípio era voltado apenas para fontes fósseis, o biometano competiu em pé de igualdade com o gás natural fóssil e obteve uma vitória.

A companhia Cocal conseguiu emplacar dois projetos de geração de energia a partir do biometano no último leilão e agora terá que dar início a investimentos de R$ 30 milhões. O biometano tem a mesma molécula que o gás natural de origem fóssil, mas é feito a partir de matéria-prima renovável.

Esta foi a primeira vez que uma fonte renovável venceu um certame competindo com uma fonte fóssil em um leilão de capacidade. Além disso, a Cocal se tornará a primeira empresa do país a gerar energia elétrica a partir do biometano, e não do biogás – que é o gás ainda não purificado.

O biogás da Cocal é produzido a partir da biodigestão dos resíduos da agroindústria da cana-de-açúcar, como a vinhaça e a torta de filtro.

Com o leilão, realizado em março, a Cocal terá que colocar à disposição do Sistema Interligado Nacional (SIN) uma potência total de 10 megawatts (MW) – foram dois projetos de 5 MW de potência cada – quando houver pico de demanda.

O LRCAP foi realizado para garantir oferta de energia em momentos de alta no consumo e contratou projetos por sua potência.

O que facilitou a empresa a competir com o gás natural fóssil no leilão de energia foi o fato de ela já possuir unidades de geração de energia a biogás e plantas de biometano.

A companhia tem uma planta de biogás em Narandiba (SP), onde é capaz de gerar energia do biogás e também pode purificá-lo e produzir biometano na unidade. E, em sua usina em Paraguaçu Paulista, a Cocal hoje produz apenas biometano, que abastece sua frota. Essa segunda unidade começou a operar em setembro e tem capacidade para produzir 60 mil metros cúbicos por dia de biometano.

Por terem vencido um leilão de capacidade, as novas plantas de energia ficarão disponíveis para quando forem demandada. E, quando não houver essa demanda, o biometano continuará sendo utilizado como combustível.

O leilão focou em fontes não renováveis porque, por ser um leilão de reserva de capacidade, a geração deveria estar disponível a qualquer momento, sem risco de intermitência, com ocorre nos projetos de renováveis em geral: eólica, solar e até térmica a bagaço de cana, que opera mais durante a safra da matéria-prima.

A Cocal já gera energia com vapor, a partir da queima do bagaço da cana, a partir do biogás e ainda tem usinas fotovoltaicas próximas às suas usinas de cana. Todas essas alternativas, porém, não conseguiriam atender à necessidade do leilão de reserva de capacidade. “Para gerar o vapor, tem o tempo de aquecer a caldeira”, exemplifica o diretor comercial e de novos produtos da Cocal, André Gustavo Alves da Silva.

O investimento para garantir a geração de energia a partir do biometano em suas duas unidades, de R$ 30 milhões, terá que ficar pronto até agosto de 2028, conforme a regra do leilão.

E, embora gerar energia a partir do biogás já purificado (biometano) seja mais caro do que gerar energia a partir do biogás, o preço inicial indicado no leilão compensa essa diferença, segundo Silva. O preço previsto é de R$ 2.900 por MWh ao ano, e a receita prevista no total para a Cocal, somando os dois projetos, é de R$ 345 milhões para o período de 15 anos contratados no leilão.

Ainda segundo o diretor comercial da Cocal, a companhia avalia buscar financiamento barato junto ao BNDES, mas ele afirma que essa possibilidade não é uma condição para o investimento se realizar.

Em suas unidades de cogeração a partir do bagaço já existentes nos polos de Narandiba e Paraguaçu Paulista, a Cocal já tem capacidade de exportar 470 mil MWh-ano. Além disso, a Cocal gera mais 35 mil MWh ao ano em sua planta de energia a biogás em Narandiba e em suas usinas fotovoltaicas, no modelo de geração distribuída.

Globo Rural| Camila Souza Ramos

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