Recuperação do real e revisão das estimativas de oferta mundial sustentam as cotações, enquanto chuvas no Brasil e riscos climáticos continuam no radar
Os preços internacionais do açúcar encerraram a terça-feira, 27 de outubro, em alta nas bolsas de Nova York e Londres, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O movimento foi sustentado pela valorização de 1,2% do real frente ao dólar e pela revisão das estimativas de déficit global de açúcar para a safra 2026/27. A recuperação ocorreu após o açúcar bruto despencar 5,6% na segunda-feira, atingindo o menor nível em um mês.
Na ICE Futures, em Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 fechou cotado a 19,20 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,10 centavo, equivalente a 0,52%. Já na Bolsa de Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 encerrou a sessão a US$ 519,20 por tonelada, alta de US$ 3,80, ou 0,74%.
A recuperação ocorreu após a forte desvalorização do real na segunda-feira, quando a moeda brasileira recuou quase 9% diante da reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato. A queda da moeda brasileira favorece as exportações de açúcar, uma vez que os produtores e exportadores recebem mais reais pelas vendas realizadas em dólar, aumentando o incentivo à comercialização externa.
Além do movimento cambial, o mercado encontrou sustentação nas novas projeções de oferta global. A Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 de 300 mil toneladas, previstas em agosto, para 490 mil toneladas.
A consultoria também reduziu sua projeção de superávit global para 2025/26, de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, em razão da menor produção brasileira e do aumento das importações de açúcar pela Índia.
No Brasil, as condições climáticas continuam influenciando as expectativas de oferta. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), citados pela Barchart, a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 5,6% em agosto, na comparação anual, totalizando 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas registradas na região têm dificultado a colheita e o processamento da cana-de-açúcar, restringindo a disponibilidade do produto.
As perspectivas para a safra 2026/27 também apontam para uma redução da produção brasileira. A Datagro projetou queda de 5% na fabricação de açúcar do Centro-Sul, para 38,4 milhões de toneladas, considerando os possíveis efeitos climáticos associados ao El Niño.
Na Índia, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) informou que a safra 2026/27 começou dentro do cronograma, com aproximadamente 107 usinas iniciando as operações de moagem.
Até 25 de outubro, a produção indiana alcançou 400 mil toneladas de açúcar, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior. Apesar do recuo, a associação considera confortável a disponibilidade do produto no país, diante dos estoques de passagem de 3,6 milhões de toneladas da temporada 2025/26.
O cenário climático também permanece como fator de atenção. Entre junho e setembro, as chuvas de monções na Índia ficaram 12,6% abaixo da média, no menor nível dos últimos 11 anos.
Além disso, o desenvolvimento de um Super El Niño no Oceano Pacífico pode alterar os regimes de precipitação no Brasil, na Índia e na Tailândia, importantes regiões produtoras de açúcar, com possíveis impactos sobre a produção mundial.
Dessa forma, embora os preços tenham recuperado parte das perdas da sessão anterior, o mercado segue influenciado pelas oscilações cambiais e pelas perspectivas de menor disponibilidade global de açúcar, especialmente diante das incertezas climáticas nas principais regiões produtoras.
Com informações da Barchart



