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Adecoagro reduz produção de açúcar em 27,9%, amplia etanol em 10,4% e encerra 2025 com menos cana

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Companhia prioriza biocombustível diante de melhores margens e registra queda no EBITDA do segmento de açúcar, etanol e energia

A Adecoagro encerrou o ano de 2025 com retração na moagem de cana e forte mudança no mix produtivo, ampliando a produção de etanol e reduzindo significativamente a de açúcar, em um movimento alinhado às condições de mercado e à maior rentabilidade do biocombustível ao longo do período. De acordo com o relatório de resultados da companhia, a moagem totalizou 12,1 milhões de toneladas de cana, queda de 4,8% na comparação anual, enquanto a produção de açúcar somou 600,4 mil toneladas (-27,9%) e a de etanol atingiu 588 mil m³ (+10,4%).

Segundo a Adecoagro, a menor moagem foi impactada por uma combinação de fatores operacionais e climáticos, com destaque para a redução do ritmo de processamento ao longo do ano e a diminuição dos dias efetivos de moagem no quarto trimestre, em função de volumes de chuva acima da média histórica. A companhia também aponta que indicadores agrícolas como produtividade e ATR apresentaram retração anual, influenciados por condições climáticas adversas, embora tenha havido recuperação pontual ao longo do ciclo, especialmente no último trimestre.

No campo produtivo, a estratégia de maximização do etanol foi determinante para o desempenho do período. De acordo com a companhia, os preços do etanol, especialmente no Mato Grosso do Sul, operaram com prêmio relevante em relação ao açúcar, o que levou ao redirecionamento do mix industrial. Como resultado, a participação do etanol na produção total passou de 48% para 58% no ano, enquanto o açúcar recuou de 52% para 42%.

Segundo o relatório, esse movimento foi ainda mais intenso no quarto trimestre, quando o etanol representou 72% do mix produtivo, refletindo a busca por maior rentabilidade em um cenário de queda nas cotações internacionais do açúcar. A companhia destaca que essa flexibilidade industrial é um dos principais diferenciais competitivos do negócio, permitindo ajustar rapidamente a produção conforme as condições de mercado.

Como consequência, a produção total de ATR equivalente recuou 8,4% no ano, impactada tanto pela menor moagem quanto pela redução no teor de açúcar da cana processada. Ainda assim, a expansão do etanol compensou parcialmente esse efeito, sustentando volumes totais mais resilientes dentro do contexto operacional.

No segmento de bioenergia, a Adecoagro exportou 676 mil MWh de energia elétrica em 2025, volume 9% inferior ao registrado em 2024, refletindo diretamente a menor disponibilidade de bagaço decorrente da redução na moagem.

De acordo com a companhia, apesar da queda no volume exportado, a eficiência de cogeração apresentou melhora no período, especialmente no quarto trimestre, indicando ganhos operacionais e melhor aproveitamento energético por tonelada de cana processada.

Financeiro: menor desempenho no segmento reflete preços mais baixos do açúcar

No desempenho financeiro, o segmento de açúcar, etanol e energia registrou EBITDA ajustado de US$ 291,5 milhões em 2025, queda de 19,9% em relação ao ano anterior, refletindo principalmente a combinação de menor produção de açúcar, queda nos preços internacionais da commodity e efeitos operacionais.

De acordo com a Adecoagro, a receita líquida do segmento totalizou US$ 624,6 milhões, retração de 8,1% na comparação anual, uma vez que o aumento nas vendas de etanol não foi suficiente para compensar a redução nas receitas provenientes do açúcar.

Segundo o relatório, as vendas de etanol apresentaram crescimento expressivo ao longo do ano, com alta de 27,5%, impulsionadas tanto pelo aumento do volume comercializado quanto por preços mais elevados. Por outro lado, as vendas de açúcar recuaram, pressionadas pela combinação de menores volumes e queda nas cotações globais.

Ainda de acordo com a companhia, os custos de produção permaneceram relativamente estáveis, com custo caixa de 12,8 centavos de dólar por libra, em linha com o ano anterior. Esse resultado foi sustentado por menores investimentos em manutenção e maior eficiência operacional, compensando a menor diluição de custos decorrente da queda na produção.

No consolidado, a Adecoagro reportou EBITDA ajustado de US$ 276,7 milhões em 2025, queda de 37,7%, impactada por preços mais baixos das commodities, desempenho operacional mais fraco e aumento de custos em dólar, além de efeitos relacionados à aquisição da Profertil.

Perspectivas: recuperação da moagem e manutenção da flexibilidade de mix

Para 2026, a Adecoagro projeta recuperação na produtividade dos canaviais e aumento do volume de moagem, com expectativa de crescimento de dois dígitos, considerando condições climáticas normais. Segundo a companhia, o modelo de colheita contínua durante a entressafra brasileira deve contribuir para maximizar a produção de etanol e otimizar o uso dos ativos industriais.

A empresa destaca ainda que manterá sua estratégia de flexibilidade no mix produtivo, com foco na captura das melhores margens entre açúcar e etanol ao longo do ciclo, além de adotar uma abordagem comercial dinâmica, ajustando vendas e estoques conforme as condições de mercado.

Natália Cherubin para RPAnews

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