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Consecana: Associação de produtores de cana está descontente

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A Assovale (Associação Rural Vale do Rio Pardo), entidade que representa produtores de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo, emitiu uma nota manifestando descontentamento quanto a não revisão do Consecana (Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo) por conta da negativa por parte da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar e Bioenergia).

Em nota, a entidade disse que nos últimos anos os produtores de cana vem tendo enormes prejuízos devido a perda de rentabilidade. “Sabemos que 41% da cana do Brasil são produzidas pelos produtores/fornecedores. Os prejuízos são enormes e muitos produtores vem registrando perdas consideráveis, com os custos de produção superando, e muito, as receitas, o que é inadmissível perante a importância do fornecedor na cadeia produtiva da cana-de-açúcar”, disse Paulo Maximiano Junqueira Neto, presidente da Assocana.

Uma reivindicação antiga e embasada na revisão efetiva dos produtos vendidos pelos produtores de cana tem feito parte da luta da Orplana (Organização das Associações de Produtores de Cana do Brasil), em defesa dos direitos dos produtores do setor.

O principal pedido é por uma melhor precificação da cana por parte do Consecana, já que o valor pago atualmente, US$ 26 por tonelada, fica aquém dos custos de produção e está na retaguarda da tabela mundial. No mundo, de acordo com a Orplana, os Estados Unidos é o país que melhor remunera os produtores de cana-de-açúcar ao pagar US$ 41,30 por tonelada; a Turquia aparece em segundo lugar com o valor de US$ 41,10. No Brasil, as precificações são diferentes conforme o Estado, sendo que o Consecana de Pernambuco é que melhor valor paga – US$ 38,34 – por tonelada de cana, com os efeitos do açúcar.

“É crucial que a metodologia seja revisada. Outras culturas como soja, amendoim e milho estão tendo rendimentos melhores. Enquanto a cana, no modelo Consecana, tem resultado em déficit para o produtor, a soja e amendoim têm um resultado melhor. Infelizmente alguns dos produtores não computam todos os custos envolvidos na atividade e irão perceber depois o impacto em seu negócio”, argumentou o CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira.

O presidente da Assocana disse que Orplana vem há muito tempo tentando realizar a revisão prevista estatutariamente, sem sucesso, em função da negativa por parte da agroindústria. “A revisão dos parâmetros técnicos e econômicos do Consecana é de suma importância, deve ser realizada a cada 5 anos, frise-se, previsto no estatuto do Conselho, a revisão visa o equilíbrio da entre as cadeias produtivas, ajustando os aspectos necessários”, disse Junqueira Neto.

A Assovale declarou apoio a Orplana e disse que a revisão dos aspectos técnicos econômicos é necessária, tendo em vista a necessidade de equilibrar a defasagem da remuneração, evitando a quebra dos produtores.

A Orplana calcula que a defasagem esteja próxima de um reajuste de 25% a 30% do valor pago atualmente. Com isso, defende que medidas para apresentação de uma nova precificação da cana se mostram urgentes.  “As usinas têm conseguido estar bem remuneradas e com incentivos fiscais ou regulatórios que não participam dentro do modelo e a Orplana observa o preço da cana ao redor do mundo. Os Estados Unidos lideram e remuneram inclusive o bagaço. Infelizmente, o nosso modelo ainda é inferior”, lamentou.

Natália Cherubin
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