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Aumento da mistura na gasolina deve demandar 300 mi litros de etanol de milho

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Cálculo considera a participação do biocombustível derivado de milho na produção nacional de etanol

Se o aumento da mistura obrigatória do etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), aprovado nesta terça-feira, 14, pelo Centro Nacional de Política Energética (CNPE), deve gerar demanda adicional anual da ordem de 1 bilhão de litros de etanol, cerca de 30%, ou 300 milhões de litros, devem vir de indústrias de etanol de milho, segundo avaliação do presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Amaury Pekelman.

O cálculo considera a participação do biocombustível derivado de milho na produção nacional de etanol, explica o executivo. “É um começo de melhoria da demanda, porque estamos com uma oferta maior superior à neste ano. Então é muito importante a ampliação”, disse Pekelman à Globo Rural.

Mesmo com consumo adicional de 1 bilhão de litros de etanol em um ano, ainda assim se manterá o desequilíbrio. Até então, havia estimativa de superávit de 3 bilhões a 4 bilhões de litros. Agora, a previsão é de 2 bilhões a 3 bilhões de litros, segundo o executivo.

Isso porque a produção de etanol segue crescendo. Neste ano, o etanol recebeu impulso também dos preços mais baixos do açúcar, que estimulam as usinas sucroenergéticas a destinar uma parcela maior de cana para a produção do biocombustível.

O executivo diz que há vários projetos de novas usinas de etanol de milho em estudo, que podem vir a ser viabilizados com o estímulo do E32 e também pela perspectiva de elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para E35.

“Com o incentivo do E32 e do E35, as empresas vão olhar melhor os investimentos”, disse. “Ter demanda garantida é importante, mas os investimentos também dependem de disponibilidade de terra, matéria-prima, mão-de-obra, e tem também do SAF (combustível de aviação) e do combustível para navegação. Tudo isso influencia a decisão de investimento”, afirmou

A expectativa, conforme Pekelman, é conseguir a aprovação do E35 (gasolina com 35% de etanol anidro) no começo de 2027, antes do período de prorrogação do E32 terminar, em meados do ano que vem.

Pekelman disse que o Ministério de Minas e Energia (MME) já criou um grupo de trabalho para discutir com várias montadoras de veículos sobre o processo e os estudos necessários para chegar ao E35.

“Gostaríamos de ter isso até o começo do ano que vem, mas vai depender de como se darão os estudos. O ideal seria antes de o E32 cair”, disse o presidente da Unem, referindo-se ao período máximo de 360 dias de vigência da medida aprovada pelo CNPE. A medida tem vigência de 180 dias, prorrogável, por uma única vez, por igual período.

Globo Rural| Clarice Couto

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