Receita líquida consolidada recuou 11,6%, enquanto melhora no resultado financeiro contribuiu para o crescimento do lucro
A Bevap Participações, controladora da Bioenergética Vale do Paracatu (BEVAP), registrou lucro líquido consolidado de R$ 136,8 milhões na safra 2025/26, alta de 8,8% em relação aos R$ 125,8 milhões do ciclo anterior, apesar da queda no faturamento. A receita líquida recuou 11,6% no período, passando de R$ 1,04 bilhão para R$ 921,9 milhões, segundo as demonstrações financeiras da companhia, encerradas ao fim da safra e uditadas pela KPMG.
A BEVAP possui unidade industrial em João Pinheiro, no noroeste de Minas Gerais, com produção de açúcar, etanol e cogeração de energia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar. Os canaviais que abastecem a operação estão localizados nos municípios de João Pinheiro, Paracatu, Unaí e Brasilândia de Minas. O grupo também controla a Central Bioenergética Enervale, voltada à cogeração de energia elétrica.
No exercício encerrado em março de 2026, os custos dos produtos vendidos somaram R$ 661,3 milhões, redução de 3,7% em relação aos R$ 686,5 milhões registrados no período anterior. Mesmo com a diminuição dos custos, o lucro bruto consolidado caiu 26,5%, de R$ 431 milhões para R$ 316,7 milhões.
O resultado operacional também apresentou retração, passando de R$ 324,5 milhões para R$ 238,3 milhões, queda de 26,6%. As despesas comerciais diminuíram de R$ 44,8 milhões para R$ 35,6 milhões, enquanto as despesas administrativas e gerais recuaram de R$ 77,5 milhões para R$ 69,4 milhões.
Comercialização e resultado financeiro
Na comercialização de açúcar, a companhia informou compromissos de fornecimento de VHP com BTG, Czarnikow e Raízen, com entregas previstas em diferentes safras. O relatório também apresenta contratos de açúcar cristal com empresas dos segmentos de alimentos e bebidas, incluindo Itambé, Coca-Cola, Bagley e Chocolates Garoto.
Em 31 de março de 2026, o grupo possuía 28.378 toneladas de açúcar precificadas junto a parceiros comerciais, com entregas previstas durante a safra, ao preço médio de 17,92 centavos de dólar por libra-peso. Na mesma data do ano anterior, o volume era de 134.065 toneladas, ao preço médio de 19,79 centavos de dólar por libra-peso.
No resultado financeiro, a companhia reduziu seu saldo negativo de R$ 170,5 milhões para R$ 56,8 milhões. As receitas financeiras avançaram de R$ 56 milhões para R$ 160,9 milhões, enquanto as despesas financeiras diminuíram de R$ 226,5 milhões para R$ 217,7 milhões.
Com isso, o lucro antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social aumentou 17,8%, de R$ 154 milhões para R$ 181,5 milhões. Após os tributos, o lucro líquido consolidado alcançou R$ 136,8 milhões.
Ao final do exercício, o grupo apresentava R$ 392,5 milhões em caixa e equivalentes de caixa, aumento de 74,8% em relação aos R$ 224,6 milhões registrados em março de 2025. Já o caixa líquido gerado pelas atividades operacionais passou de R$ 255,8 milhões para R$ 182,4 milhões.
Natália Cherubin para RPAnews


