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Brasil não pode ser acusado de causar excesso de oferta global de açúcar, diz Datagro

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Segundo Plinio Nastari, produção brasileira de açúcar se manteve estável nos últimos três anos enquanto o crescimento do setor ocorreu principalmente no etanol

O Brasil continua sendo o principal determinante do mercado global de açúcar, mas não pode ser responsabilizado por eventual excesso de oferta no mercado internacional. A avaliação é de Plinio Nastari, diretor da Datagro, feita nesta terça-feira (11), durante a 10ª Abertura de Safra promovida pela consultoria. Segundo ele, enquanto a produção brasileira de açúcar se manteve relativamente estável nos últimos anos, o crescimento do setor sucroenergético ocorreu principalmente na produção de etanol.

“Nos últimos três anos, a produção de açúcar do Brasil manteve-se estável em torno de 43,8 milhões de toneladas. Portanto, o país não pode ser acusado de causar excesso de oferta no mercado mundial”, afirmou. De acordo com as estimativas apresentadas pela Datagro, na nova temporada,  a produção de açúcar na região deve permanecer praticamente estável, passando de 40,77 milhões de toneladas em 2025/26 para cerca de 40,70 milhões de toneladas em 2026/27. Já a produção de etanol tende a crescer, impulsionada principalmente pelo avanço do etanol de milho.

Para a moagem da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil, a consultoria projeta que o setor deva alcançar 635 milhões de toneladas de cana, avanço de cerca de 4% em relação à safra 2025/26, estimada em 610,5 milhões de toneladas.

Déficit global na safra 2025/26 pode se ampliar

No cenário internacional, Nastari destacou que o mercado mundial de açúcar deve registrar déficit de aproximadamente 800 mil toneladas na safra 2025/26, número que pode se ampliar dependendo do desempenho da safra indiana.

Segundo ele, as estimativas indicam produção de cerca de 29,3 milhões de toneladas na Índia, de acordo com projeções da associação das usinas do país (ISMA), abaixo das estimativas iniciais. Outros importantes produtores também enfrentam revisões de safra. Na Tailândia, a produção projetada para 2026/27 está próxima de 9,7 milhões de toneladas, enquanto na União Europeia a produção deve cair diante da redução na área cultivada com beterraba.

Segundo Nastari, os preços internacionais seguem pressionados apesar desse cenário, refletindo principalmente fatores financeiros e macroeconômicos.

O preço de exportação do açúcar brasileiro gira atualmente em torno de R$ 1.700 por tonelada, valor 37,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e 38% abaixo da média dos últimos cinco anos. Entre os fatores que explicam esse movimento está a posição dos fundos especulativos no mercado futuro. “Os fundos estão com uma posição líquida vendida superior a 241 mil lotes, o que pressiona os preços”, explicou.

Outro fator relevante foi a volatilidade no mercado de petróleo. O preço do Brent chegou a atingir US$ 120 por barril em meio às tensões geopolíticas recentes, mas posteriormente recuou para cerca de US$ 80, movimento influenciado também por restrições no mercado de seguros marítimos.

Condições agrícolas melhores no Brasil

Do ponto de vista agronômico, a avaliação da Datagro indica que as condições das lavouras no Centro-Sul são melhores do que no mesmo período do ano passado, especialmente nas áreas do primeiro terço da safra.

Regiões importantes como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Presidente Prudente apresentam ganhos biométricos superiores aos observados no ciclo anterior, além de avanços no plantio de cana em áreas de renovação.

A pesquisa da Datagro indica que 25% das usinas da amostra pretendem iniciar a colheita ainda em março, enquanto 54% devem retomar a moagem na primeira quinzena de abril. Não há expectativa relevante de início de safra apenas em maio.

Em Goiás, as condições climáticas foram menos favoráveis no início do ciclo, com atraso no desenvolvimento das lavouras no primeiro terço da safra. Já em Minas Gerais, o retorno das chuvas retardou o desenvolvimento inicial, mas as áreas de segundo e terceiro cortes apresentam boas condições produtivas. Segundo Nastari, a perspectiva geral é de uma safra com rendimento agrícola melhor do que o observado no ciclo anterior.

Etanol ganha espaço no mercado

O crescimento do setor sucroenergético brasileiro nos últimos anos tem sido impulsionado principalmente pelo etanol. Nos últimos cinco anos, a produção nacional do biocombustível aumentou cerca de 10 bilhões de litros, avanço absorvido quase integralmente pelo mercado interno.

Segundo dados apresentados pela Datagro, a produção total de etanol no Brasil passou de 35,5 bilhões de litros na safra 2023/24 para 37,2 bilhões de litros em 2024/25, com estimativa de alcançar 41,6 bilhões de litros na safra 2026/27.

Parte importante desse crescimento vem do etanol de milho, cuja produção saltou de 4,4 bilhões de litros há cinco anos para cerca de 12,8 bilhões de litros, ampliando significativamente sua participação na oferta total de biocombustível no país.

A expansão desse combustível também se reflete na substituição da gasolina no mercado doméstico. Em 2025, o etanol substituiu 45,6% da gasolina consumida no Brasil. Entre os estados com maior participação do biocombustível destacam-se Mato Grosso (67,2%), São Paulo (58,9%), Goiás (57,7%), Mato Grosso do Sul (46,9%) e Rio de Janeiro (45,6%).

Segundo Nastari, ainda existe espaço significativo para expansão desse consumo, especialmente em regiões onde a participação do etanol ainda é menor. “O Brasil é campeão mundial na substituição de gasolina por etanol e ainda tem muito espaço para ampliar o consumo tanto no mercado interno quanto no externo”, concluiu.

Natália Cherubin para RPAnews

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