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Brasil quer avançar em biocombustíveis na Europa em meio a mudança de regras

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“Biocombustível” foi uma palavra citada em todos os discursos do presidente Lula em sua viagem à Alemanha, em abril. A repetição é parte de um plano: o Brasil quer aproveitar as mudanças de regulação na Europa e o acordo União Europeia-Mercosul para ganhar espaço nos motores do Velho Mundo.

Lá, o mercado de combustíveis limpos deverá atingir 105 bilhões de dólares em 2035, segundo a consultoria GMI. “O Brasil pode se transformar em uma espécie de Arábia Saudita do biocombustível”, disse Lula.

As mudanças na Europa são puxadas pela regulação. A União Europeia determinou que, até 2030, os países-membros atinjam, no setor de transporte, 29% de uso de energias limpas ou uma redução nas emissões de 14,5%.

Com isso, a demanda por biocombustíveis deve crescer de 30 bilhões para 70 bilhões de litros até 2035. No ano passado, o Brasil exportou 80 milhões de litros de biodiesel para a Europa, que renderam US$ 98 milhões – ou seja, uma gota nesse oceano que se abre no continente.

Outra alteração que aumentaria o mercado para os combustíveis brasileiros é uma revisão ao veto aos motores a combustão em veículos, marcada para 2035.

Em dezembro, a Comissão Europeia propôs trocar a proibição total deles por uma redução de 90% nas emissões, em relação aos níveis de 2021, o que abre espaço para os biocombustíveis. O tema deverá ter novas rodadas de conversa em junho, e abre-se uma possibilidade de avanço dos motores flex, adotados no Brasil desde 2002.

“A Alemanha e a Europa precisam pensar na frota antiga de carros a combustível. O chanceler Friedrich Merz entendeu que o motor flex fuel e o etanol são soluções”, diz o CEO da Volkswagen para a América do Sul, Alexander Seitz. “Temos muita experiência com o flex fuel e podemos trabalhar com os colegas da Alemanha para viabilizar essa tecnologia”.

Para crescer no mercado europeu, no entanto, o Brasil precisa provar que seus produtos não afetarão a produção de comida. Em 2022, o Parlamento Europeu vetou o uso de combustíveis feitos à base de soja e reafirmou um limite de 7% de uso de combustíveis feitos à base de plantas também usadas para alimentação, por entender que sua adoção gera risco de fome em países pobres.

Autoridades brasileiras argumentam que o mesmo grão pode ser usado para as duas coisas. Ao transformar soja ou milho em combustível, a matéria-prima restante, chamada de DDG, pode ser usada para fazer ração animal, usada para alimentar bois, frangos e porcos, que depois gerarão carne, por exemplo.

Ao mesmo tempo, a Europa tem demonstrado grande interesse nos chamados biocombustíveis sintéticos, ou diesel renovável, que usam itens diversos, como óleo de cozinha usado. “O processo aceita várias matérias-primas, e cada uma traz uma redução de carbono maior ou menor”, diz o diretor de relações institucionais da Be8, Camilo Adas.

A empresa brasileira produz o Bevant, um combustível renovável à venda na Europa que Lula mostrou como exemplo de um futuro em que os carros europeus poderão ser abastecidos com a ajuda do Brasil.

Exame| Rafael Balago
Repórter viajou a convite da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha de São Paulo

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