Home Últimas Notícias MPT processa Anvisa e governo federal para tentar proibir uso do glifosato no Brasil
Últimas Notícias

MPT processa Anvisa e governo federal para tentar proibir uso do glifosato no Brasil

Compartilhar

Ação busca barrar registro, produção, comercialização e uso do herbicida; medida pode impactar empresas químicas e o agronegócio brasileiro

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com uma ação judicial contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o governo federal para tentar proibir o uso do glifosato no Brasil, herbicida mais utilizado no mundo e amplamente empregado pelo agronegócio brasileiro. As informações foram divulgadas pela Bloomberg.

Segundo a reportagem, uma divisão especializada do MPT voltada à proteção dos direitos dos trabalhadores protocolou na sexta-feira, 22, uma ação solicitando a proibição do registro de produtos que contenham glifosato e seus derivados.

A medida também pede que sejam suspensas autorizações para produção, exportação, importação, comercialização e uso do ingrediente ativo e de seus compostos, sob alegação de riscos à saúde humana, ao ambiente de trabalho e à segurança ocupacional.

Caso avance, a iniciativa pode atingir diretamente empresas químicas que atuam no Brasil, entre elas a Bayer, além de fabricantes que utilizam o princípio ativo em formulações genéricas após a expiração da patente da Monsanto em 2000.

Segundo a Bloomberg, a Anvisa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pela defesa do governo federal, também não se manifestou até a publicação da reportagem.

A ação ocorre meses após a revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology retirar um artigo publicado há décadas que apontava ausência de riscos à saúde relacionados ao glifosato, após questionamentos envolvendo possíveis conflitos de interesse dos autores.

De acordo com os procuradores brasileiros citados pela Bloomberg, o estudo retirado foi utilizado durante anos como referência por agências reguladoras de diversos países para autorizar o registro e a comercialização do herbicida.

A ação judicial também menciona pesquisas que associam resíduos da substância presentes na água potável a potenciais riscos à saúde humana.

Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos”.

“É uma questão de saúde pública”, afirmou o procurador Leomar Daroncho, em comunicado reproduzido pela Bloomberg. “A autoridade competente deve tomar medidas para reavaliar os riscos quando houver um alerta ou advertência contra o uso de pesticidas de organizações internacionais responsáveis pela saúde.”

Bayer enfrenta pressão judicial nos Estados Unidos

Segundo a reportagem, o debate em torno do glifosato também ganhou dimensão política nos Estados Unidos, especialmente após críticas de apoiadores do movimento “Make America Healthy Again”, liderado por Robert F. Kennedy Jr.

O grupo questiona a atuação do governo Trump junto à Suprema Corte norte-americana em ações que buscam limitar a responsabilização da Bayer em processos relacionados aos efeitos do glifosato.

Nos EUA, milhares de ações judiciais alegam que o uso do ingrediente ativo — inclusive em produtos da linha Roundup — estaria associado ao desenvolvimento de cânceres como linfoma não Hodgkin e mieloma múltiplo.

A Bloomberg destaca que a Bayer já desembolsou mais de US$ 10 bilhões em litígios relacionados ao glifosato ao longo da última década. No fim de 2025, as provisões e responsabilidades ligadas ao tema totalizavam US$ 11,3 bilhões.

A companhia alemã nega riscos relacionados à segurança dos produtos à base de glifosato e afirma, em divulgações públicas, que não existem evidências científicas suficientes para comprovar associação entre o herbicida e câncer.

A Bayer concluiu em 2016 a aquisição da Monsanto, empresa responsável por popularizar o uso do glifosato nos anos 1970 e desenvolver sementes geneticamente modificadas resistentes ao herbicida, tecnologia posteriormente expandida para culturas como soja, milho, algodão e canola.

A Bloomberg lembra ainda que, em 2023, procuradores do trabalho brasileiros já haviam solicitado judicialmente a proibição da atrazina, outro ingrediente utilizado em defensivos agrícolas, embora o caso ainda não tenha decisão definitiva.

Com informações da Bloomberg
Compartilhar

Episódio 26: Manejo de plantas daninhas em cana: por que começar antes faz toda a diferença?

Episódio 25: Bioenergia sem limites: o futuro da cana além do açúcar e do etanol

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Governo, no momento adequado, saberá como implementar lei da reciprocidade, diz Alckmin

Executivo anunciou que haverá recalibragem do chamado plano Brasil Soberano, que prevê...

Últimas NotíciasDestaque

Cocal amplia moagem para 8,6 milhões de t, mas lucro cai 48,5% na safra 2025/26

Companhia registra recuperação da produtividade agrícola, amplia a produção de etanol e...

Últimas Notícias

Moody’s rebaixa Cosan após crise na Raízen e mantém perspectiva negativa

Decisão foi influenciada pelos impactos da reestruturação da Raízen e redução nos...

Últimas NotíciasDestaque

Portugal e Brasil buscam investidores para usinas de combustíveis sustentáveis

Portugal e o Brasil estão buscando atrair investidores brasileiros para construir uma...