Operação da Cofco envolve as unidades Rio Vermelho e Nova Unialco, no interior de São Paulo, com capacidade conjunta de cerca de 7 milhões de toneladas de cana por safra
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição, pela COFCO International, do controle da Viterra Bioenergia S.A., que reúne as usinas Rio Vermelho e Nova Unialco, atualmente pertencentes à Bunge. A decisão da Superintendência-Geral consta do Despacho nº 1.263/2026, assinado em 25 de setembro e publicado nesta segunda-feira, 28.
A operação envolve a usina Rio Vermelho, localizada em Junqueirópolis (SP), e a Nova Unialco, em Guararapes (SP), ambas na região de Araçatuba. Juntas, as duas unidades possuem capacidade de processamento de aproximadamente 7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
A venda das usinas para a COFCO International havia sido anunciada pela Bunge em 1º de setembro. Na ocasião, a companhia informou que a conclusão da transação estava sujeita às condições habituais de fechamento, incluindo a obtenção das aprovações regulatórias necessárias.
Cade afasta riscos concorrenciais
Na análise da operação, a Superintendência-Geral do Cade considerou que a participação das empresas no mercado brasileiro de açúcar e etanol é inferior a 20%, não configurando posição dominante.
O órgão também avaliou os mercados verticalmente relacionados e apontou que a participação das companhias não alcança 30%, afastando, segundo a análise, a possibilidade de fechamento de mercado.
Diante desses fatores, a Superintendência-Geral concluiu que a transação não apresenta riscos ao ambiente concorrencial e aprovou a operação sem restrições.
Com a decisão, a aquisição supera uma das etapas regulatórias previstas para a transferência dos ativos, embora a conclusão da transação ainda esteja sujeita ao cumprimento das demais condições estabelecidas entre as companhias.
Usinas chegaram à Bunge após combinação com a Viterra
As unidades Rio Vermelho e Nova Unialco pertenciam anteriormente à Viterra e passaram a fazer parte do portfólio da Bunge após a conclusão da combinação global dos negócios das duas companhias, em julho de 2025.
Ao anunciar a venda, a Bunge afirmou que a operação estava alinhada à estratégia de concentrar suas atividades em suas prioridades de longo prazo.
“À medida que a Bunge concentra-se em suas prioridades estratégicas e posiciona o negócio para o crescimento a longo prazo, esta transação representa o passo certo a ser dado”, afirmou Julio Garros, diretor de operações da Bunge, no anúncio da operação.
Para a COFCO International, a aquisição amplia a presença da companhia no setor sucroenergético brasileiro. No anúncio do acordo, Daniel Pagnani, diretor-geral de Usinas de Açúcar da companhia, afirmou que a operação está alinhada à estratégia de longo prazo de crescimento do negócio de açúcar e de fortalecimento da presença industrial no Brasil.
A COFCO já operava quatro usinas no estado de São Paulo e, com a incorporação das duas unidades, deverá ampliar sua capacidade de moagem no país de aproximadamente 18,5 milhões para 25,5 milhões de toneladas de cana por safra.
O valor da transação não foi divulgado.
Com informações da CNN


