Documento foi apresentado nesta quinta-feira (3), durante o encerramento do evento promovido pela Orplana e reforça a necessidade de políticas mais efetivas em prol da produção sustentável de cana, além de estabelecer prioridades para o setor sucroenergético
Sintetizando os debates realizados durante dois dias e apontando os principais desafios e oportunidades para o setor, o Cana Summit 2025 apresentou nesta quinta-feira (3), no encerramento da sua segunda edição, a nova Carta de Brasília. O documento, elaborado pela ORPLANA, organização que representa 35 Associações de Produtores de Cana do Brasil, estabelece diretrizes fundamentais para as autoridades das esferas Federal, Estadual e Municipal, buscando o reconhecimento do produtor de cana e sua inclusão em políticas públicas voltadas à canavicultura.
A carta reforça a importância da atuação política e institucional da ORPLANA na defesa dos interesses dos produtores traduzidos em diferentes pautas debatidas durante o encontro realizado no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil), em Brasília/DF, com a presença de representantes de entidades do setor e autoridades políticas.
“A carta sintetiza as discussões do evento, traz nossos pleitos e reafirma nossa aproximação com os parlamentares. Isso garante mais atenção e comprometimento não só no Congresso Nacional, mas também nos governos estaduais e municipais”, ressalta José Guilherme Nogueira, CEO da ORPLANA.
Com cinco pontos essenciais, a Carta de Brasília aborda os objetivos que devem ser priorizados em prol do futuro do setor. “Buscar avanços e parar retrocessos” foi a mensagem enfatizada por Gustavo Rattes, presidente do Conselho Deliberativo da ORPLANA, ao destacar a necessidade de políticas públicas eficazes para garantir a sustentabilidade e rentabilidade dos produtores.
“Demonstramos com a Carta de Brasília que estamos presentes no espaço político e atentos a todas as demandas e movimentos que envolvem direta ou indiretamente o setor sucroenergético”, frisou Bruno Moreira, diretor financeiro da ORPLANA, na apresentação do documento.
Em relação à primeira Carta de Brasília, apresentada no Cana Summit 2024, Nogueira destacou avanços como a evolução no RenovaBio, a revisão do CONSECANA, além do fortalecimento de parcerias com entidades de pesquisa e associações do setor.
Confira os cinco pontos da Carta de Brasília:
1) Aproximação dos políticos com os produtores, principalmente no
próximo ano eleitoral trazendo as nossas demandas.
2) Priorização do etanol em todo Brasil. Aumentando o consumo de etanol
hidratado em todo território nacional através de parcerias.
3) Garantia jurídica para uma regularização fundiária que garante
patrimônio privado e o direito do produtor.
4) Inserção do produtor de cana-de-açúcar nas políticas públicas, voltadas
à sustentabilidade, rentabilidade, reciprocidade e acesso aos programas
nacionais que envolvem o setor sucroenergético.
5) Garantir ao produtor sua defesa nos seus direitos negociais, facilitando
e incentivando o empreendedorismo.
A programação do Cana Summit 2025 contou com painéis estratégicos sobre a comercialização do etanol, políticas de incentivo ao setor, desafios regulatórios e oportunidades para os produtores. Além disso, autoridades debateram o papel do Legislativo no desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva da cana. Avaliado positivamente, o evento fortaleceu o diálogo entre os diferentes agentes da cadeia produtiva da cana-de-açúcar e reafirmou a missão da ORPLANA de defender os interesses do produtor.
“Foram mais de 600 produtores presentes, de diversas regiões do Brasil, o que demonstra a força do setor e o engajamento em busca de soluções e avanços concretos”, conclui José Guilherme Nogueira.
Revisão do Consecana deve sair até maio
A revisão do Consecana (Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do estado de São Paulo), que passa por uma revisão dos parâmetros que balizam os preços pagos pela cana aos produtores, ainda é esperada com grande expectativa pelos produtores de cana. Os estudos começaram em 2024 com a contratação da FGV para a realização dos novos parâmetros e a previsão era de que já fossem apresentados em março.
No entanto, um pedido de mais informações técnicas por parte da Orplana postergou a implementação. “A revisão está acontecendo e deve chegar nos itens finais no mês de abril, no máximo no mês de maio, mas ele já está 90% encaminhado”, comentou Nogueira, que garantiu que as novas bases vão valer retroativamente para a safra 2024/25, que encerrou em março.
Uma das mudanças que pode acontecer é o pagamento aos produtores de cana pelo bagaço, que muitas vezes é utilizado na produção de energia. De acordo com o CEO da Orplana, a inserção do bagaço nos estudos é um pedido da Orplana para verificar se a gente consegue ter a participação do bagaço no valor pago ao produtor. “Precisamos de um acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) para chegar em um denominador final e conseguir a inclusão do bagaço”.