Pecege estima moagem de 640,7 milhões de toneladas em 2026/27, com produtividade de 79,32 t/ha, ATR menor e mix mais voltado ao etanol
O Centro-Sul pode encerrar a safra 2026/27 com aproximadamente 14 milhões de toneladas de cana bisada, segundo estimativa do Radar Compara de setembro, elaborado pela Pecege Consultoria e Projetos. O potencial de moagem é calculado em 654,7 milhões de toneladas, mas, considerando a cana que deve permanecer para o ciclo seguinte, a estimativa de moagem realizada na temporada fica em 640,7 milhões de toneladas.
O volume representa crescimento de 4,83% em relação às 611,2 milhões de toneladas processadas na safra 2025/26. A projeção considera ainda aumento da produtividade agrícola, redução do ATR médio e maior participação do etanol no mix industrial.
Até 16 de agosto, o Centro-Sul havia processado 361,6 milhões de toneladas de cana. O levantamento aponta potencial de moagem de 266,2 milhões de toneladas até dezembro, além de moagem média de 12,9 milhões de toneladas entre janeiro e março.
A produtividade média é estimada em 79,32 toneladas por hectare, alta de 6,57% frente às 74,43 t/ha registradas em 2025/26. A área colhida deve passar de 8,211 milhões para 8,254 milhões de hectares, avanço de 0,52%.
Na decomposição apresentada pelo Radar, a produtividade parte das 74,43 t/ha da safra anterior, com efeito positivo de 0,51 t/ha relacionado à idade dos canaviais e de 4,38 t/ha associado ao clima, chegando às 79,32 t/ha estimadas para 2026/27.
A área total com cana-de-açúcar no Centro-Sul é estimada em 9,35 milhões de hectares. Desse total, 8,08 milhões de hectares correspondem à área colhida, 1,10 milhão de hectares à área de plantio e 180 mil hectares à cana bisada. A taxa de plantio é estimada em 11,74%.
Apesar da maior produtividade agrícola, o ATR médio deve recuar na temporada. O indicador é estimado em 135,46 quilos por tonelada de cana, queda de 1,69% ante os 137,79 kg/t de 2025/26.
O ATR total, por outro lado, deve crescer 3,06%, passando de 84,21 milhões para 86,79 milhões de toneladas.
O Radar Compara projeta ainda redução da participação do açúcar no mix industrial, de 50,38% para 47,01%, queda de 3,37 pontos percentuais. O mix de etanol deve avançar na mesma proporção, de 49,62% para 52,99%.
Com isso, a produção de açúcar no Centro-Sul é estimada em 38,88 milhões de toneladas, redução de 3,84% frente às 40,43 milhões de toneladas da safra anterior.
Já a produção de etanol de cana deve alcançar 27,01 bilhões de litros, crescimento de 10,11%. Desse volume, 17 bilhões de litros correspondem ao hidratado, alta de 11,71%, e 10,01 bilhões de litros ao anidro, avanço de 7,50%.
Considerando também o etanol de milho, cuja produção é estimada em 10,05 bilhões de litros, a produção total de etanol deve atingir 37,06 bilhões de litros na safra 2026/27, sendo 22,25 bilhões de litros de hidratado e 14,81 bilhões de litros de anidro.
Natália Cherubin para RPAnews
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