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COP 28 termina com avanço sobre transição energética, mas exclui eliminação dos combustíveis fósseis

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O fim dos combustíveis fósseis não foi decretado, mas o mundo concorda que é preciso se “afastar” deles, começando ainda nesta década. Esta é a principal conclusão da 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 28, que terminou nesta quarta-feira (13) com um acordo negociado entre 195 países.

O texto final foi divulgado na madrugada de quarta-feira, quase 24 horas depois do prazo inicial. As discussões foram marcadas pela forte oposição dos países produtores de petróleo, que buscavam evitar diretrizes mais imediatas pelo fim do uso da energia suja fossem adotadas.

O texto final e os compromissos nele assumidos ficaram ainda distante do que desejavam os especialistas que alertam para a urgência do fim do uso do carvão, petróleo e gás.

“A menção à substituição do uso de combustíveis fósseis é inédita, mas totalmente em desacordo com a realidade de países que projetam um aumento em suas fontes sujas. Os países agora precisam decidir que verdade irá prevalecer: a do texto da COP, ou a dos seus planos de explorar cada vez mais petróleo, carvão e gás”, disse Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima ao G1.

Cientistas do clima e demais especialistas desejavam que o documento final utilizasse a expressão “phase out”, no sentido de eliminar os combustíveis fósseis.

Em seu lugar, o documento sugere uma transição, “transition away from”, no original em inglês. Mas, por outro lado, é a primeira vez desde 1994, quando a Convenção do Clima da ONU entrou em vigor, que os países concordam que é preciso deixar de usá-los em seus sistemas energéticos.

Foco do documento está na transição para sistemas de energia com emissões zero ou baixas, utilizando tecnologias renováveis, nucleares e de captura e armazenamento de carbono. O texto da COP não estabelece metas gerais: cabe a cada país elaborar ou atualizar seus próprios compromissos nacionais de redução da emissão da gases de efeito estufa.

Resumo dos principais pontos

  • Pela 1° vez, os países concordaram é preciso fazer uma “transição energética” para redução do uso combustíveis fósseis.
    No entanto, o texto não cita a eliminação de combustíveis fósseis — ideia que não agradou os ambientalistas.
    Acordo propõe que seja triplicada a capacidade de energia renovável a nível mundial até 2030.
  • Países anunciaram um fundo de US$ 420 milhões para apoiar países afetados pelo aquecimento global, mas valor é considerado baixo. Conferência não estabeleceu compromissos concretos de financiamento para adaptação e mitigação, mas “reiterou” que mais dinheiro precisa chegar aos países afetados pelas mudanças climáticas.
  • O acordo reconhece que é necessária a redução no uso de combustíveis fósseis, mas não diz como isso será feito e não cita a eliminação, que é uma meta já acordada para 2050, data estipulada pela ONU para não ter mais emissões de gases de efeito estufa.

Informações do G1

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