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Corteva e BP lançam joint venture para produzir matérias-primas agrícolas para SAF e diesel renovável

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A Corteva e a BP anunciaram, na última quarta-feira, 7, o lançamento da Etlas, uma joint venture voltada à produção de óleo a partir de culturas como canola, mostarda e girassol para uso na fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (RD). A iniciativa combina a experiência da Corteva em tecnologia de sementes com a atuação da BP em refino e comercialização de combustíveis para o mercado de transporte.

Segundo as companhias, a Etlas desenvolverá culturas idealmente adaptadas à produção de SAF e RD, aproveitando o portfólio genético da Corteva, ao mesmo tempo em que contará com a estrutura industrial e logística da BP para viabilizar o processamento e a distribuição dos biocombustíveis.

A meta da nova empresa é produzir 1 milhão de toneladas de matéria-prima por ano até meados de 2030, volume que poderá gerar mais de 800 mil toneladas de biocombustíveis. O fornecimento inicial está previsto para começar em 2027, tanto para coprocessamento em refinarias existentes quanto para plantas dedicadas à produção de biocombustíveis.

As estimativas citadas pelas companhias indicam que a demanda global por SAF pode atingir 10 milhões de toneladas até 2030, frente a cerca de 1 milhão de toneladas em 2024. Já o mercado de diesel renovável pode chegar a 35 milhões de toneladas até 2030, contra aproximadamente 17 milhões de toneladas em 2024.

Dentro desse cenário, a proposta da Etlas é ampliar rapidamente a oferta de matéria-prima renovável para atender à expansão da indústria de combustíveis de baixo carbono.

Produção em áreas agrícolas já existentes

De acordo com o comunicado, as culturas utilizadas pela Etlas serão cultivadas em áreas agrícolas já existentes e entre as principais safras de alimentos, o que evita a pressão por abertura de novas áreas. Para as empresas, essas culturas intermediárias podem melhorar a saúde do solo e, ao mesmo tempo, gerar uma nova fonte de renda para os agricultores.

Como são plantadas em períodos tradicionalmente improdutivos — como pousio ou culturas de cobertura —, essas lavouras também não criam demanda adicional por terras agrícolas, reforçando o caráter sustentável do modelo.

Para a Corteva, a joint venture reforça o papel da agricultura na transição energética. “Ao ajudar a fundar a Etlas, a Corteva continua a cumprir duas partes essenciais da nossa missão: contribuir para abastecer o mundo e apoiar os agricultores. A agricultura faz parte da solução, e estamos entusiasmados em ver a Etlas ganhar vida”, afirmou Judd O’Connor, vice-presidente executivo da unidade de negócios de sementes da companhia.

Na BP, o foco está na criação de valor dentro da cadeia de biocombustíveis. Segundo Philipp Schoelzel, vice-presidente sênior de crescimento em biocombustíveis, “esta joint venture com baixo investimento de capital cria opções em nossa cadeia de valor de biocombustíveis, fortalecendo nossa posição e contribuindo para gerar retornos atrativos. Estamos entusiasmados em colaborar com a Corteva para entregar o que nossos clientes desejam”.

Estrutura de governança

A Etlas será comandada por Ignacio Conti, diretor global de desenvolvimento de negócios da Corteva, que assume como CEO da nova empresa. O presidente do conselho de administração será Gaurav Sonar, vice-presidente de novos insumos da BP.

Para Conti, o papel dos agricultores será central no avanço do SAF. “À medida que a indústria da aviação busca fontes confiáveis, sustentáveis e competitivas para SAF, fica claro que os agricultores têm um papel fundamental a desempenhar. A Etlas reúne líderes globais em inovação agrícola e produção de energia para atender a essa demanda, aproveitando a expertise tecnológica e relações de confiança com agricultores ao redor do mundo para ajudar a ampliar a produção e aumentar o fornecimento, enquanto oferece aos agricultores novas fontes de receita”, afirmou.

Com a Etlas, Corteva e BP passam a atuar de forma integrada em uma das cadeias mais estratégicas da transição energética global, conectando agricultura, biotecnologia e produção de combustíveis renováveis em escala comercial.

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