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[Opinião] Cosan bota um tantão de trem a venda, mas não larga o volante: o que R$ 15 bilhões em desinvestimentos contam (sem nem precisar gritar)

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Ô de casa! Se tem uma coisa que aprendi nesses anos de estrada é que mineiro desconfiado não é bobo, não. Quando vê muita venda de ativo numa empresa grande, como agora no caso da Cosan, ele não pergunta “quanto?”, pergunta logo “por quê?”.

Pois o jornal Valor contou que o grupo Cosan resolveu abrir mão de até R$ 15 bilhões em ativos até o fim do ano. Boa parte desse pacotão tá dentro da Raízen — aquela mesma joint venture com a Shell que anda tentando equilibrar crescimento com dívida, promessa com realidade. Mas que trem é esse?

Segundo a prosa do jornal, os pedaços mais valiosos à venda estão na Argentina: uma refinaria e uma rede de postos. Tem também usina de etanol indo pro balcão — até mesmo aquelas de segunda geração que, até ontem, eram vitrine de inovação.

Mas Rubens Ometto, que não é de cair da cama sem motivo, já avisou que não quer abrir mão do trio de ouro:
Rumo (ferrovia), Compass (gás natural) e Moove (lubrificantes).
O resto… bem, aí vai depender da proposta que chegar no portão.

E isso é estratégia ou aperto no sapato?

Ô pergunta boa, sô. Eu diria que é um pouco dos dois.
A Raízen e a própria Cosan andam carregando uma dívida do tamanho de um caminhão de cana atolado. Juros altos, dólar arredio, e uns investimentos que custam mais que festa de casamento em capital.

Aí o jeito foi vender uns anéis — mas sem deixar cortar os dedos. O mercado arregalou os olhos? Arregalou, sim. Mas não entrou em pânico, não. Porque, vamos ser sinceros, desinvestir não é sinal de derrota — é, muitas vezes, inteligência financeira.

O que o povo do mercado quer saber é:
1. Cosan ainda tá no volante? Tá.
2. Tá vendendo porque quer ou porque precisa? Tá mais pra precisa agora pra poder querer depois.
3. Vai sobrar músculo ou só osso? Vai sobrar o filé — porque estão vendendo a borda e segurando o recheio.

E o sinal? Vermelho não tá. Mas também não tá verde.

Tá amarelando, igual farol no cruzamento da linha de trem .
É aviso pra reduzir, ajustar o retrovisor e seguir viagem sem pressa. Porque o caminho ainda é longo, e o barranco tá logo ali se bobear.

No fim das contas…

A Cosan tá fazendo o que todo bom roceiro faz quando vê a lavoura meio fraca:
vende umas cabeças, segura as matrizes, e garante que o celeiro vai continuar cheio no ano que vem.
Não é covardia. É sabedoria de quem já viu muita safra ruim virar lição boa.

Rubens não tá largando o jogo — só tá trocando peça pra seguir jogando melhor. E enquanto o trem não descarrilar, ele segue no comando da locomotiva.

E nós, que acompanhamos essa saga há mais de ano, seguimos do nosso jeito: com o pé no chão, o ouvido na terra e o olhar lá no horizonte. Porque entender o setor, sô, não é só ler planilha — é escutar o mato crescendo entre um anúncio e outro.

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

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